A guerra mundial da Embraer


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Nos próximos anos, haverá mudanças significativas no mercado aeronáutico, prevê o novo presidente da Embraer, Frederico Curado. No momento, existem quatro empresas globais, as gigantes Airbus e Boeing e as menores Embraer e Bombardier. Os russos estão se preparando para entrar no jogo, com a aglutinação dos fabricantes em torno da Sukoy. Os chineses também estão caminhando céleres. Só que seus planos são bem mais ambiciosos: disputar o mercado global com as duas gigantes do setor. Como se colocar nesse jogo? No mercado aeronáutico, cada aposta dura 20 anos: 5 para fazer o produto, 15 de vida útil do projeto. Se a companhia aérea erra, dança. Anos atrás, com apenas 20 anos de vida, a Airbus aproveitou o fim da McDonell Douglas para passar a Boeing, com seus quase 70 anos de vida. Bastou problemas com seu 380, a demora para ser lançado, para a Boeing recuperar terreno. As duas empresas são gigantes, com apoio dos respectivos governos. Irmão menor da família de quatro, a Embraer não pode se dar ao luxo de errar. O jogo tem vários ingredientes. Um dos segredos é a parceria com os fornecedores. Talvez não exista outra máquina em que todas as partes sejam tão integradas quanto o avião. Em cada projeto, motor e economia caminham em direções opostas. Mais espaço para o passageiro exige menos para a bagagem. Ou então motor mais potente e consumo maior. O segredo é encontrar o ponto ótimo. Para tanto, o fabricante precisa adaptar seus produtos ao projeto do avião. Por exemplo, o Embraer 190 exigia um motor totalmente novo. O fabricante apostou, ganhou o fornecimento exclusivo ao modelo, e um motor mais moderno, aprimorado graças à parceria. Como fabricar aviões não é apenas juntar os componentes, a Embraer já tem uma vantagem competitiva relevante, com as vitórias das últimas décadas. Outra vantagem competitiva relevante são os processos de certificação da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), herdados do antigo IFI (Instituto de Fomento e Coordenação Industrial), baseado no Centro Tecnológico de Aeronáutica. Graças a acordos bilaterais da ANAC com as principais agências reguladoras, o avião já sai do Brasil praticamente certificado. As agências européia e americana só testam situações de stress, como pouco ou decolagem de emergência. Se outro país quiser entrar no mercado, se não dispuser de uma agência certificadora, dependeria da FAA (o órgão homologador norte-americano), o que tornaria praticamente inviável a produção. Na última rodada, a Embraer saiu vitoriosa do confronto direto com a canadense Bombardier. Agora, o jogo começa a ficar mais pesado. Hoje ela domina inteiramente o mercado de aviões de cem lugares. Mas o maior avião da Embraer é similar ao menor da Boeing e da Airbus. Como para ambas é apenas um produto de entrada, não há ainda a competição direta. Por outro lado, o fato do setor ser atrativo está atraindo russos e chineses. Para os próximos cinco anos, Curado supõe que o impacto da entrada de ambos será pequeno. Em dez anos, será maior. Em vinte, provavelmente a China estará disputando mercado com a Airbus e a Boeing. Foco no cliente e caixa reforçado são elementos cruciais nessa batalha. SONEGAÇÃO Operação da Polícia Federal realizada ontem em Manaus (AM) desmontou esquema de sonegação de impostos federais que funcionava nas representações regionais da Receita Federal e da Procuradoria da Fazenda Nacional. A PF estima que o grupo tenha desviado R$ 50 milhões em um ano. Oito pessoas tiveram prisões temporárias decretadas, sob suspeita de estelionato, corrupção passiva e ativa, prevaricação, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro. Entre os presos está o auditor fiscal da Receita Federal Sandoval Fernando Cardoso Freitas, suspeito de chefiar a quadrilha. Na casa dele, além de jóias e carros importados, a polícia apreendeu documentos de uso exclusivo da Receita. Com eles, os suspeitos direcionavam fiscalizações, confeccionavam peças jurídicas para reduzir impostos ou eliminar débitos para favorecer empresários. PRAZO DAS MICRO As empresas optantes do Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) têm até hoje para entregar a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica 2007. A expectativa da Receita Federal é que pelo menos 2,4 milhões de micro e pequenas empresas prestem contas dentro do prazo. Até ontem, foram recebidas 1,4 milhão de declarações. As empresas que atrasarem a entrega pagarão multa mínima de R$ 200 e máxima de 20% do montante do imposto informado na declaração. O Simples estabelece uma alíquota unificada e reúne, entre os tributos federais, o IRPF, PIS, Cofins, CSLL, INSS patronal e, quando for o caso, IPI. Até 2005, podiam optar pelo Simples as microempresas com faturamento anual de até R$ 120 mil e EPP (empresa de pequeno porte) com receita anual de até R$ 1,2 milhão. A partir de 2006, esses limites foram elevados para R$ 240 mil e R$ 2,4 milhões, respectivamente, para micro e EPPs. fiesp e ciesp Prometendo uma posição ainda mais política à frente das duas entidades, o empresário Paulo Skaf, que concorreu em chapa única, foi reeleito ontem presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e eleito do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) por quatro anos. A eleição de Skaf, atual presidente da Fiesp e que substituirá Claudio Vaz no comando do Ciesp, põe fim a uma divisão entre o empresariado paulista - em 2004, pela primeira vez, as duas entidades elegeram presidentes diferentes.

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