De olho na vitrine


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Elas atraem o olhar nas movimentadas ruas comerciais do centro ou nos corredores iluminados dos shoppings. São o cartão de visita, marcam a identidade de uma loja. Por causa delas o consumidor, seduzido, acaba comprando até o que não necessita. Na sociedade de consumo, a vitrine é uma grande arma a favor do lojista. Ser criativo é o que interessa na hora de exibir o que se pretende comercializar. Podem ser roupas, jóias, eletrodomésticos, sapatos, brinquedos, livros, perfumes, ornamentos, obras de arte. Dependendo do vitrinista, até uma prosaica panela de pressão ganha charme, quando colocada estrategicamente junto a um lindo aparelho de jantar e um vaso de orquídeas. "Para criar uma vitrine sugestiva nós precisamos de elementos que remetam às datas comemorativas. Se é Páscoa, vamos com os coelhos, se é Natal, com papais-noéis, se Carnaval, com máscaras, se festas juninas, com os ícones do período, ou seja, chapéus de palha, vestidos de chita, camisa xadrez. É assim que funciona", diz Maria Clara Barbosa, vitrinista. Lourdes Martins, gerente de loja no Franca Shopping, concorda: "O consumidor já se habitou com o uso de elementos temáticos e procura por isso", disse. A estação do ano também condiciona a construção de uma vitrine. O frio, por exemplo, que vem marcando o final do outono, enseja belas vitrines, com imagens que remetem a aconchego e calor.O uso de cores quentes se impõe, lembrou um dos vendedores consultados sobre o assunto. A idade do consumidor é outro elemento de que lança mão o vitrinista para compor o visual de sua loja. "A infância pede delicadeza", respondeu Ana Maria Soares, na tarde de ontem , encantada diante de uma bonita vitrine de loja que exibia um cenário japonês para mostrar roupas infantis. Ela procurava um vestido para sua filhinha que vai a uma festa de aniversário no domingo. Mônica Bittar, proprietária de uma butique no Shopping, explica que nas metrópoles os vitrinistas são muito procurados pelos lojistas. Eles são grandes criadores, exclusivos às vezes das grandes marcas, mas em centros menores, é o próprio proprietário, o gerente ou a vendedora mais hábil quem desempenha o papel de artista. No caso de sua loja, é ela mesma quem se incumbe do trabalho, para ela um prazer. Vendedora e também vitrinista na loja em que trabalha, Cida Vasquez fez questão de afirmar que a partir de agora o amor entra em cena, pois a campanha do Dia dos Namorados é que vai pautar os lojistas. A gerente Zuleika Inazaki, de uma loja de jóias que administra com a irmã, acredita no poder de sedução das vitrines e muda a sua quatro vezes por semana, mantendo algumas plataformas básicas de apresentação das jóias. "Nós mudamos o visual de acordo com o público. Nos fins de semana, a freqüência é de gente jovem, então colocamos em evidência peças que sabemos vão atrair o olhar dela." Zuleika busca no calendário inspiração para suas vitrines: "Vem aí o Dia dos Namorados, e eu apostei nos corações de vários tamanhos, bem vermelhos, em acrílico", comentou. Corações parecem ser o apelo favorito de nove entre cada dez lojistas preocupados com o Dia dos Namorados. Lourdes Martins diz que também pretende usá-los na decoração de sua vitrine, associando-os a taças de champanhe: "São lembretes que interagem com as roupas e acabam acenando para aqueles que estão em busca de um presente para o seu par". Taças, corações: nada mais romântico para a data. Ficam faltando as rosas vermelhas, que algum vitrinista antenado irá providenciar.

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