O aposentado está em alta no atacado e no varejo. De uns tempos para cá, seu poder de compra foi descoberto por empresas dos mais diversos ramos, interessadas em lucrar com essa parcela da população que até recentemente só tinha seus gastos associados a remédios e supermercados.
Correndo atrás das financeiras que oferecem empréstimos a juros menores que os praticados em geral (o que não significa que sejam menos extorsivos), as agências de viagens também despertam para esse novo nicho de clientes que investe boa parte de seus rendimentos em viagens e outras formas de lazer.
A figura da saudosa Nair Belo ficará perpetuada na campanha publicitária que incitava os aposentados a fazerem empréstimos em financeira. O anúncio funcionou. Somente em Franca, estima-se que 5 mil aposentados tomaram empréstimos. Os motivos são os mais variados, mas a maioria o faz para complementar a renda familiar e também para ajudar a saldar dívidas de filhos e netos.
Há 30 anos, a imagem do aposentado era completamente diferente.
Quando se falava em alguém com mais de 50 anos, vinha logo na cabeça o sujeito com sandálias nos pés e uma vara de pescar na mão. Com o aumento da expectativa de vida, o perfil dessas pessoas está mudando. Muitos sequer deixaram o mercado de trabalho com essa idade. O aposentado ativo deixa de ser um mero espectador da febre de consumo na sociedade e se transforma em alvo precioso para as empresas.
Quem ainda não deixou o mercado, apesar de teoricamente ter direito ao benefício, tem a seu favor o fato de receber um salário mensal. Desde março último, podem sacar também o FGTS mensalmente. Imagine como essa renda-extra está modificando a vida dessas pessoas. Não é o caso de Franca, mas em muitas cidades do interior do país, a economia é movimentada pelas pensões e benefícios pagos por governos e iniciativa privada. A tendência é que a importância desses recursos aumente ainda mais nas próximas décadas.
Fundos de previdência municipal e estadual têm chamado a atenção de grandes bancos, sobretudo depois que a legislação permitiu que ficassem responsáveis pelo gerenciamento de recursos que, somados, ultrapassam a casa dos R$ 23 bilhões, segundo estimativas da Associação Brasileira de Instituições de Previdência Estaduais e Municipais (Abipem). O Ministério da Previdência contabiliza mensalmente o pagamento de 24,6 milhões de benefícios. Contudo, apenas 8,1 milhões encontram-se acima do salário mínimo.
O mercado está travando uma batalha para atrair esses clientes que têm renda certa e líquida. Mais do que nunca, o momento é bom para colocar em discussão o bom uso da experiência dos aposentados e reivindicar mais respeito ao idoso no Brasil.
ALEXANDRE TABAH é sócio-diretor do Shopping do Calçado de Franca e da Alta Publicidade e Marketing; presidente da Associação dos Moradores dos bairros Recanto Fortuna e Monte Carlo
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.