Telhado arrombado, portão aberto, um rastro de sangue da sala até o quarto, um cheiro fétido e o corpo da sapateira aposentada Maria Divina Cintra, 58 anos, no chão do quarto, ao lado da cama. Sem roupa, ele estava de bruços e tinha um ferimento na cabeça. Uma bíblia foi encontrada aberta sobre o móvel. A cena foi presenciada por policiais militares acionados ontem, por volta das 21h30, pelo sobrinho da vítima, Valdomiro Antunes Cintra, 37. Ele foi chamado pela vizinha de sua tia, que estranhou o desaparecimento de Maria Divina, há mais de 30 anos moradora do imóvel de número 1411, da Rua Doutor Washington Luiz, no Jardim Boa Esperança.
Adelaide das Dores Oliveira Gimenes, 69, percebeu o sumiço da mulher quando amigas que freqüentavam a mesma igreja foram até sua casa, ontem à noite, perguntar da aposentada. “Elas disseram que não a tinham visto mais na igreja e achamos muito estranho porque eu também não a vi na rua, como de costume. Então, liguei para a irmã dela que pediu para o filho vir até aqui”, contou à reportagem.
Valdomiro Cintra encontrou o portão destrancado e a porta da sala trancada por fora. Ao girar a chave e entrar na casa, viu o rastro de sangue. “Eu cheguei só até o corredor, mas quando vi o corpo caído já chamei a polícia. Não tive coragem de entrar no quarto. Fazia tempo que eu não a via, mas ela era uma pessoa muito boa. Só ia da casa para a igreja e da igreja para a casa”, declarou.
Abalado com a tragédia, José Antunes Cintra, 64, irmão da vítima, ficou indignado. “Ela não tinha inimigos, nunca foi casada e nem teve namorados. Ela não tinha dinheiro nem jóias, recebia apenas um salário mínimo de aposentadoria”, lamentou.
O caso está entregue à DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Franca. O corpo da sapateira aposentada foi levado para o IML (Instituto Médico Legal) de Franca para ser autopsiado. O sepultamento será na manhã de hoje no cemitério Santo Agostinho, com trabalhos da Funerária São Francisco, assim que o corpo for liberado pelo legista.
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