“Como a criançada anda se alimentando? Comem frutas, carne, arroz, feijão...? O que está errado na alimentação das crianças? Elas fazem exercícios físicos? Será que o problema está em casa? Será que está na merenda servida na escola?” Com a tarefa de encontrar respostas a essas e outras perguntas, estagiários do curso de Nutrição da Unifran iniciaram “inspeções” em escolas estaduais e municipais. As visitas começaram em março e continuam até meados de dezembro. Até lá, os futuros nutricionistas pretendem conversar com 640 alunos em 96 escolas.
O público-alvo são crianças entre 7 e 12 anos. No projeto, os universitários registram alturas e pesos e conversam sobre o que costumam consumir. A partir desses dados, é feita avaliação para saber se há problema de anemia ou obesidade. Se a situação dos “gordinhos” e “magrinhos” for grave, os pais são comunicados para receber orientação. “É uma forma de cumprirmos as horas de estágio exigidas pelo curso e prestar serviço à comunidade. Com o projeto, teremos condições de encontrar a fonte dos problemas da alimentação infantil e depois trabalhar diretamente para solucioná-los”, disse Cláudia Haddad, nutricionista coordenadora do curso de Nutrição na Unifran.
Há três meses, Flávia Carrijo e Silva, 20, estudante do terceiro ano de Nutrição, acompanha cerca de cem alunos entre 5 e 6 anos da Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) “Augusto Marques”, na Vila Nova. Todos os dias, durante quatro horas, ensina as crianças como devem se alimentar, mostra a importância de consumirem carboidratos, proteínas, frutas, os perigos de certos alimentos, como salgadinhos e bolachas recheadas, e incentiva consumo da merenda escolar. “Por meio de jogos, brincadeiras, atividades com alimentos, conversa e exibição de filmes sobre boa alimentação, mostramos que precisam de carne para ficarem fortes, o leite ajuda a fortalecer e a cenoura é boa para visão, por exemplo”.
Ela disse ter encontrado muitos hábitos errados nas refeições da garotada. Um aluno de 6 anos costumava levar uma garrafa de Gatorade todos os dias, o que, para uma criança, é inadequado. “É um produto recomendado para atletas e pessoas debilitadas. Além disso, 500 ml por refeição é muito para uma criança. Ele tomava tudo e falava que queria ficar forte.”
Flávia conversou com a mãe dele para explicar. Hoje, trocou as garrafinhas por frutas.
A recomendação da nutricionista Cláudia Haddad é que as crianças comam de tudo - carboidratos, proteínas, vitaminas - em quantidades adequadas. A boa alimentação deve estar associada à prática de atividades físicas. “Para saber quanto o filho tem de comer, é aconselhável consultar um médico. O profissional tem condições de dizer a quantidade para cada criança de acordo com sua estatura e peso”, disse Cláudia.
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