Ao longo de sua história republicana, a economia oscilou entre duas vertentes comandando o processo de investimento: os industriais e os financistas. Em fases de transformação o financista tem grande utilidade. O industrial tem enorme dificuldade em reestruturar sua atividade, porque implica vender ativos, fazer novos investimentos. Já o financista pode mobilizar poupança e entrar rapidamente em novos negócios.
Todos, em geral, acumulam capital com operações no mercado de capitais e de câmbio. Depois de capitalizados, os mais sérios, como Barão de Mauá ou Walther Moreira Salles, tornam-se grandes e fundamentais empreendedores. Os aventureiros, como o Conselheiro Mayrink (o homem do qual Rui Barbosa tornou-se sócio) limitam-se a aplicar golpes.
A partir dos anos 90, esses gestores de recursos passam a dominar a política econômica e os investimentos no País. O paradigma maior é Jorge Paulo Lemann, do GP Investimentos, homem que criou o modelo do moderno banqueiro de negócios.
Seu processo de enriquecimento seguiu um padrão comum nos anos 80: informações especiais sobre inflação e sobre indexadores de governo, e uso da matemática financeira para operações de arbitragem na Bolsa.
Em seu banco, Lemann criou uma cultura fortemente baseado nos princípios protestantes de sua formação. Esquemas de participação nos lucros, cobrança férrea por resultados, a condenação a toda forma de exibicionismo.
A partir do Real, resolveu ingressar na economia real. Adquiriu algumas empresas antes disso, conseguiu algum sucesso inicial melhorando a sua gestão financeira. Mas quando veio a estabilização econômica, acabou esbarrando na falta de familiaridade com os negócios, amargando prejuízos.
Na fase da bolha da Internet, acabou investindo em algumas empresas "ponto com". Parte dos insucessos acabou sendo repassada para algumas empresas de telecomunicações adquiridas na privatização.
Seu maior lance foi a compra da Brahma e, depois, a incorporação da Antárctica, em um processo de fusão que recebeu a aprovação surpreendente do CADE (Conselho Administrativo de Direito Econômico). Da incorporação resultou a Ambev, com pleno controle do mercado brasileiro de bebidas.
O segundo grande lance foi quando vendeu a Ambev para a Interbrew, empresa belga, assumindo parte preponderante do seu capital. Acabou tornando-se um empresário belga, apesar do próprio presidente da República, Lula, saudar a desnacionalização como se fosse um feito nacional.
O sucesso de Lemann se deveu a uma visão estratégica apuradíssima, a um amplo conhecimento das modernas ferramentas financeiras, ao uso intensivo dos programas de gestão e qualidade para melhorar sua rentabilidade, e a uma influência decisiva sobre as decisões de dois governos.
Firmou-se como o mais importante empresário brasileiro da globalização. E mostra a importância do Estado não abrir mão da política econômica. Um animal empresarial como ele, se não houver elementos de política econômica capazes de direcionar sua energia, torna-se global. O país vira apenas uma plataforma para se lançar no mundo.
Hoje o poder dos gestores tornou-se imbatível. Se não houver mais Estado, tornar-se-ão senhores absolutos da economia, da mídia e da política.
OPERAÇÃO DA PF
A Polícia Federal deflagrou ontem a Operação Ouro Negro, que visa a desarticular uma quadrilha que usava o lago Itaipu - na fronteira Brasil-Paraguai - para contrabandear mercadoria para o Brasil. Até as 11h30, 22 pessoas haviam sido presas. Faziam parte da quadrilha criminosos que agiam nos dois países. Segundo a PF, o grupo comprava grandes quantidades de mercadoria no Paraguai e a entregava a membros brasileiros da quadrilha que possuem terras junto às margens paraguaias do lago.
Inicialmente, a PF acreditava que o grupo contrabandeava apenas pneus - por isso Ouro Negro -, mas descobriu que as mercadorias eram escolhidas pela quadrilha de acordo com a facilidade de escoamento. Os produtos ficavam armazenados nas fazendas dos brasileiros até serem atravessadas pelos barqueiros da quadrilha para o Brasil, onde eram descarregadas em veículos pequenos até depósitos e, então, distribuídos para os destinatários finais em grandes caminhões em fundos falsos. Cerca de R$ R$ 2,3 milhões em mercadorias já foram apreendidos. Ao todo, a Justiça expediu 29 mandados de prisão e 43 de busca e apreensão. Os presos responderão por contrabando, formação de quadrilha e corrupção. As penas pode chegar a 8 anos de cadeia.
BALANÇA COMERCIAL
A balança comercial registrou um superávit de US$ 700 milhões na quarta semana de maio, elevando o saldo mensal a US$ 3,404 bilhões, segundo os dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento divulgados ontem. Na última semana, as exportações somaram US$ 2,944 bilhões (média diária de US$ 588,8 milhões) e as importações, US$ 2,244 bilhões (média de US$ 448,8 milhões). O superávit comercial (saldo positivo entre exportações e importações) já é 12,86% maior que o registrado em maio de 2006, quando o saldo foi de US$ 3,016 bilhões. Com o resultado da última semana de maio, o superávit comercial atingiu US$ 16,390 bilhões no ano, saldo bem próximo aos US$ 15,222 bilhões registrados de janeiro até a segunda semana de maio de 2006. O período contou com cem dias úteis tanto em 2006 como neste ano. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior, as exportações deste ano, até a quarta semana de maio, cresceram 20,1%, atingindo US$ 57,963 bilhões. No mesmo período, as importações deram um salto de 25,8%, totalizando US$ 41,573 bilhões.
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