Os escândalos de sempre


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Alfredo Palermo Especial para o Comércio O escritor e jornalista Luiz Weis, analista e observador da vida nacional através do grande órgão que é o “Estadão”, publicou nesse jornal um artigo irônico e atual que resume uma visão pessimista do Brasil sobre a qual vale a pena referir: “Nada como mais um escândalo de corrupção - com os suspeitos de sempre e os métodos de costume -para dar força nova à certeza arraigada na cabeça de muita gente de que nada muda nem tem perigo de mudar para melhor neste Brasil”. O povo todo acompanha, nos últimos anos, aventuras políticas envolvendo não só líderes governamentais como parlamentares famintos de dinheiro público e fornecedores de encomendas, vacinados e crismados com apelidos criados para não serem esquecidos: “mensalão”, “torneio de ambulâncias”, “hurricane” (furacão) e, já agora, aventura das “navalhas”. Para que não nos esqueçamos, há necessidade de, agora, lembrar nomes e fatos da última aventura que seduziu algumas centenas do “bingo” dos cofres públicos: o iluminado Zuleido Soares Veras, presidente da empresa Gautama, já detido para não anular testemunhas e provas; uma extensa área geográfica: Maranhão, Alagoas, Sergipe, Piauí, Mato Grosso e Bahia; órgãos: Câmara Legislativa do DF, Caixa Econômica Federal e BRB. A Polícia Federal, examinando os papéis encontrados em poder dos acusados, não se esqueceu de nomes de altas figuras, como Jackson Lago, governador do Maranhão; Teotônio Vilela Filho, de Alagoas, e Wellington Dias, do Piauí. A empresa Gautama, de Zuleido Soares Veras, cresceu na disputa de licitações a partir do Estado do Maranhão, quando o governador era José Reinaldo Tavares, beneficiado pelos negócios, e dali se espraiou para outros Estados. Políticos não só pleiteavam verbas do Orçamento da União, como de outras fontes. O ex-governador José Reinaldo, registra o “Estadão” (dia 23, pág. A 7), no último ano de sua gestão, adquiriu em Brasília um grande imóvel, logo depois procurando vendê-lo por R$ 3 milhões, fato descoberto através de escutas telefônicas captadas pela PF. Na relação de obras feitas ou por fazer, através de verbas orçamentárias, incluindo gastos ilegais - há um mar de “propinas” realizadas e agora identificadas, as quais deverão acarretar demissões e processos crimes. O último ato dessa grande novela foi a demissão do ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, suspeito de ter recebido uma propina de R$ 100 mil por facilitar liberação de verbas. Enfim, maio vai ser assinalado, daqui para frente, como uma das ações mais rigorosas da Polícia Federal, em processos que prosseguem para novas e futuras ocorrências. Tudo, diga-se de passagem, para o bem do País.

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