Acabar um casamento é como passar pelo transe da morte de uma pessoa querida, com as etapas do susto, da negação, do luto, da melancolia e da busca de alternativas para sobreviver a esse momento.
Muitas vezes o que se lamenta e chora, não é exatamente a perda da pessoa em questão, é justamente a perda da imagem do casal, congelada nalgum ponto de um passado feliz, como que a perda daquilo que se instituiu e se criou conjuntamente.
Mas você se vê sozinha, a cama espaçosa e vazia, os amigos todos casados e recuados, a família nuclear sob a sua responsabilidade. E descobre que para resistir e continuar vivendo de modo saudável, em busca de crescimento e realização, você terá que se redesenhar, se reestruturar inteira, inventar todo um novo esquema de vida e deixar o antigo padrão de existência, que afinal se revelou falido, nos locais mesmo a que ele pertence agora: nos recantos da memória, essa traiçoeira, sempre adulterando, conforme a conveniência do momento (para melhor ou para pior), os acontecimentos do passado. Aliás, em tempos de incerteza pós-tudo como o nosso há sempre movimentos de retrocesso e isso transcende a esfera meramente pessoal, caindo no coletivo.
Trocando em miúdos, quando o futuro parece nebuloso e incerto demais, damos um jeito de nos confortar com o que já foi, num espelho de gratificações passadistas. Naturalmente então voltamos os olhos para o passado em busca do aconchego daquilo que foi bom e da segurança do já conhecido.
A memória é ardilosa em sua tendência à maquiagem de um passado que, evocado, volta colorido e afofado, uma festa de flores em vivências que talvez nem tenham sido tão espetaculares assim. Mas a nostalgia ocorre é dessa forma, nos limites seguros. Portanto, guarde os bons momentos nas fitas de vídeo, nos DVDs e CD ROMs, nos álbuns de fotografia invadidos pelo amarelo do tempo.
Também é comum com o fim da relação, nos sentirmos de repente contraditoriamente ligadas à pessoa da qual nos separamos. Façamos uma analogia com a vida: é corriqueiro vermos que alguém supervaloriza a vida quando está prestes a perdê-la em razão de uma doença grave, por exemplo. Na realidade, não perdermos o desejo pela vida em si enquanto não há fim à vista, mas talvez, pela versão que criamos dela. Talvez voltemos aos casamentos nossas insatisfações reflitam muito mais o resultado de uma determinada maneira de viver.
Conheço uma história em que o luto ipso facto misturado à raiva, ilustra bem, no nível das emoções, uma vivência radicalizada de separação.
CONCURSO LITERÁRIO
Tendo em vista o grande contingente de profissionais e estudantes de Psicologia com talento para a escrita, a Universidade de Franca lançou, no dia 10 de maio, durante o encerramento de sua Jornada de Psicologia, um concurso literário de poesias e contos. As inscrições vão até o dia 06 de agosto de 2007 e os resultados serão divulgados no dia do Psicólogo, 27 de agosto, durante semana de atividades culturais e acadêmicas. Os textos devem ser encaminhados com detalhamentos de autoria para o e-mail psicologia@unifran.br. Não há custos para a inscrição e o tema é livre, em duas categorias: universitários e profissionais psicólogos.
Criação
No âmbito da criação literária, ao registrar, alterar, embelezar um acontecimento pelo uso das palavras, inventar um personagem, novas realidades, novas possibilidades, despertar medo, compaixão, repulsa, amor, espanto ou curiosidade, o autor busca diferentes formas de ampliar o repertório das possibilidades de pensar o mundo e também de se situar nele. Mas porque será que a narrativa, em todos os tempos e culturas esteve presente? “Narrar para não morrer” é, em síntese, a justificativa de muitos literatos para a sua escrita, significando duplamente o temor à morte e o desejo pela posteridade. Mas há algo mais nessa onipresença das narrativas na cultura do homem: sem histórias, mitos, ritos, sem as simbolizações, nós nos afastamos da experiência humana.
A narrativa, diz a psicanalista Purificacion Barcia, da PUC, talvez reflita o medo que temos de perder o humano em nós.
Eletrochoque, não.
Continua acirrada a guerra à não utilização de eletrochoques (ECT) no tratamento de portadores de sofrimento mental. O fim da prática foi definido em 1993, aprovado pela 3ª Conferência Nacional de Saúde Mental. A terapêutica do eletrochoque, apesar disso, ainda se insere no discurso de alguns setores da Psiquiatria e na tentativa de sua reabilitação.
Associações defensoras da Reforma Psiquiátrica e da humanização no tratamento do portador de transtorno mental se posicionam frontalmente contra qualquer idéia de resgate dessa técnica.
Para ver
Allan Bal, o roteirista do filme Beleza Americana é quem produz e assina a série A Sete Palmos (Six Feet Under), da HBO, iniciada em 2002 e finalizada em 2004, ainda exibida no Brasil pela Warner. São 5 temporadas (disponíveis para compra) que tratam, de forma assustadoramente contemporânea, temas como vida e morte.
Densa, a série tem seus episódios idealizados a partir de forma psicodinâmica com a qual aleatoriamente conduzimos nossas existências: há sempre um tema se impondo e entrelaçando histórias paralelas. Para ver e pensar.
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