Um dos principais inovadores da construção civil brasileira a partir dos anos 80, o empresário Hugo Marques da Rosa, da Método Engenharia, sustenta que o setor passa pelo maior “boom” desde os anos 70.
Praticamente todos os sub-setores da construção civil estão em intensa atividade. Antes, tinha-se a fase dos hotéis e residências, depois a fase das instalações industriais. Agora, todas estão crescendo simultaneamente.
Além disso, o mercado de capitais descobriu o setor imobiliário e aumentou a oferta de financiamentos a prazos maiores e taxas menores.
Estão se esgotando os estoques no mercado imobiliário comercial, e as indústrias começaram finalmente a aumentar fisicamente. Nos últimos 20 anos, limitaram-se a ganhos de produtividade, investindo em maquinário e redução de pessoal. Agora, pela primeira vez, começam a ampliar as instalações físicas. Some-se a infra-estrutura, reativada pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e se terá o melhor dos mundos.
A diferença em relação aos anos 70 é a falta de recursos do setor público. Mas como os investimentos em infra-estutura serão fundamentalmente privados, não haverá queda de ritmo.
Esse “boom” reflete uma característica do setor. Sempre que a economia vai mal, o setor é o que mais sente. Às vezes, 1% de restrição econômica pode significar quebras de até 30% no setor.
Com o recálculo do PIB, por exemplo, constatou-se que os investimentos respondem por apenas 16%. Dos investimentos, 50% correspondem à construção civil. Assim, qualquer projeção do setor deverá levar em conta o crescimento do PIB (em geral a construção civil cresce mais do que o PIB), mais um crescimento adicional, necessário para a relação investimento/PIB chegar aos 25%.
O “boom” dos anos 70 coincidiu com a urbanização, aliás o mais violento processo de urbanização. Era um fenômeno tipicamente paulista e do centro-sul. Hoje, o “boom” se espalha por todo o País. No Nordeste, que forneceu a mão-de-obra dos anos 70, hoje a construção civil cresce mais do que em qualquer outra região.
E aí começa a se entrar em alguns gargalos. Não tem como a construção civil competir em mão-de-obra com outros setores.
Embora o ofício de pedreiro seja mais qualificado que o de um torneiro-mecânico, não há orgulho em ser da construção civil. Pesquisas indicam que mais de 95% dos trabalhadores do setor não querem que seus filhos sigam a sua profissão.
Esse mesmo fenômeno ocorreu na França - que precisou se valer de imigrantes espanhóis e portugueses -, na Alemanha - com os turcos - e na Inglaterra - com imigrantes das ex-colônias. Depois de se tornarem cidadãos dos países europeus, seus filhos tiveram acesso a ensino público de qualidade, e não quiserem seguir o caminho dos pais.
A saída, lá e aqui, será a crescente industrialização do setor -a compra de partes prontas do imóvel, seguindo o modelo da indústria automobilística. Esse processo começou nos anos 90, mas foi revertido com a estagnação da economia. Agora, deverá ser retomado. A tendência será a industrialização e a qualificação do emprego.
EMPREGO ESTÁVEL
Sem refletir ainda o aquecimento da economia, o mercado de trabalho no País vive um 2007 considerado “frio” e de estagnação da taxa de desemprego, que ficou em 10,1% no mês passado, segundo o IBGE. Trata-se exatamente da mesma marca registrada em março. Desde janeiro, a taxa está em ascensão e não são criadas vagas em quantidade suficiente para reduzir o desemprego. Na média, o rendimento dos trabalhadores subiu 0,3% de março para abril, estimado em R$ 1.114. A alta foi de 5% ante abril de 2006. Os dados do IBGE mostram, porém, que nem todos se beneficiaram igualmente do reajuste do salário mínimo desde 1º de abril. Pelo contrário: o aumento fez crescer o contingente dos sub-remunerados, que passou de 15,8% da população ocupada em março para 20,4% em abril. O reajuste explica ainda a queda na renda dos trabalhadores sem carteira (1,5%) e dos por conta própria (2,7%) de março para abril. Beneficiados pelo reajuste, os com carteira tiveram alta de 1,8%.
SUPERMERCADOS
As vendas do setor supermercadista continuam em alta neste ano, com crescimento de 6,55% no faturamento no primeiro quadrimestre, com relação ao mesmo período em 2006. Para o presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Sussumu Honda, “um cenário tão positivo assim não se vê desde a década de 70”. No confronto de abril com igual mês do ano passado, o aumento foi de 4,36%. Já com relação a março deste ano houve queda de 0,41% nas vendas. Com o bom resultado no acumulado do ano, o presidente da Abras reviu a meta de crescimento para 2007, que passou para 5%, contra uma projeção inicial entre 3% e 4%.
FEIRA DA AVIAÇÃO
Aberta ontem em Itirapina, a 9ª Broa Fly-In, feira ligada à aviação, deve movimentar US$ 60 milhões até domingo. Com aeronaves cujos preços variam de US$ 68.900 a US$ 15 milhões, o evento prevê faturamento 136,5% superior aos R$ 50 milhões do ano passado. Neste ano, são 71 expositores, contra 50 de 2006. “Temos um mercado grande, mas precisamos de mais empresas como a Embraer, mas de pequeno e médio portes”, afirmou Fernando Botelho, promotor do evento. Ontem, os descendentes dos pioneiros da aviação, Amanda Wrigth, sobrinha-bisneta de Oliver e Wilbur Wrigth, dos EUA, e Mário Villares, sobrinho-neto de Alberto Santos Dumont, encontraram-se em Itirapina.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.