Temperaturas baixas e céu limpo, sem nuvens. Segundo a meteorologia, essas são as condições ideais para a ocorrência de geadas (congelamento do orvalho na superfície). Ontem, o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) previa a ocorrência do fenômeno na região de Franca para essa e a próxima madrugada. A geada, que não ocorre na região desde 17 de julho de 2000, quando os termômetros registraram 2 graus, é prejudicial para culturas mais sensíveis como o café. Se muito intensa, pode queimar a plantação e comprometer a produção de um ano.
Para Victor Alexandre Ferreira, técnico de Sistema de Informação Geográfica da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores), a geada acontece devido a uma brusca queda de temperatura após um dia claro e ameno, com um vento mais frio. Na região, podem atingir mais os cafés de baixada, próximos a córregos e áreas de preservação. “Eles estão mais sujeitos de serem atingidos porque a geada congela a água da superfície que fica sobre a folha. O fenômeno queima mais os cafés mais novos, que ainda estão desprotegidos”.
De acordo com Ferreira, não há como prever e proteger a produção da geada. “Só durante a noite se consegue saber se haverá geada ou não. Nesse caso, alguns produtores montam uma fogueira (tonel de óleo, lenha e fogo) para aquecer a plantação”. Franca, Pedregulho, Ribeirão Corrente e Ibiraci-MG, são as cidades mais propícias à ocorrência. Juntas, elas têm cerca de 24 mil hectares de pés de café.
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