Eliana Eugênia da Silva Rodrigues, 33, trabalhava como sapateira em uma fábrica do Distrito Industrial. Há duas semanas, foi despedida. Para ajudar no sustento de casa - é mãe de uma menina de dez e de um garoto de 14 anos - se juntou ao marido, também desempregado, e foi trabalhar na colheita de café em uma fazenda de Pedregulho. Na quarta-feira, choveu e não houve serviço na roça. O casal aproveitou o dia livre para tentar sacar o FGTS e resolver problemas particulares. Na volta para casa, o Monza da família estragou. Ela foi empurrar, foi atropelada por uma Kombi e perdeu as duas pernas.
A mulher foi submetida a uma delicada cirurgia com três horas de duração. Os dois membros inferiores foram amputados um pouco abaixo dos joelhos. Eliana saiu do centro cirúrgico e foi encaminhada ao CTI (Centro de Terapia Intensiva). Sua recuperação é surpreendente. Ontem, já foi para o quarto. O quadro clínico é estável e ela não corre risco de morte. Se a situação não se alterar, deverá receber alta médica dentro de três dias.
Se o acidente chocou a cidade em função da violência, imagine a dor causada aos familiares da vítima. "Estou arrasada e tentando reunir forças para conseguir ficar frente a frente com ela. É um sofrimento muito grande. Não tem explicação", comentou a dona de casa, Aparecida Fogaça, mãe de Eliana. O relato foi feito momentos antes de a mulher sair de casa para visitar a filha no hospital. Apesar do sofrimento, não aparentava revolta. "Ela perdeu as pernas, mas, o mais importante, é que Deus devolveu a vida à minha filha".
A força de Eliana surpreendeu até mesmo os bombeiros. Mesmo diante da gravidade dos ferimentos sofridos, não perdeu os sentidos em nenhum momento. No hospital, também permanece consciente. "Ela está conversando com os familiares e sabe de tudo o que aconteceu. Sabia que não tinha outra alternativa e está conformada com a amputação das pernas. Por mais incrível que possa parecer, é ela que está me dando forças nesse momento difícil", conta José dos Reis, marido da vítima.
Evangélica e freqüentadora da Igreja da Graça, no Centro, Eliana se apega à religião para superar as marcas deixadas pelo acidente em seu corpo. Já está pensando em implantar próteses para realizar os serviços domésticos. "Ela ora todos os dias.
Por várias vezes, chegou a dormir com a Bíblia nas mãos. Às vezes, ficou pensando como uma coisa dessas (a perda das pernas) foi acontecer com uma pessoa tão religiosa como ela", completou José dos Reis.
Com a mulher gravemente ferida, dois filhos para criar e desempregado, ele ainda ficou sem o carro que usava para ir trabalhar na panha de café. Devido a batida, o Monza sofreu danos de grande monta e está sem condições de circular. O veículo havia passado por revisão na semana passada e José gastou R$ 570 com o conserto. Pagou apenas a primeira parcela.
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