Hoje é o Dia da Indústria. O setor, apesar das dificuldades dos juros e do câmbio, tem o que comemorar, conforme demonstram os números do primeiro semestre: no período, a expansão de suas vendas foi de 4,1%, em relação a 2006. O seu volume de empregos também mostrou maior dinamismo, registrando alta de 3,5%. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), como representante de um parque empresarial que responde por metade do PIB paulista e cerca de 17% do nacional, tem grande responsabilidade como protagonista do desenvolvimento brasileiro e no tocante ao papel socioeconômico do setor.
Por isto, paralelamente à alegria pela capacidade de superação dos industriais brasileiros, a entidade não perde o foco da realidade e dos desafios persistentes. Dentre estes, o prioritário é o crescimento sustentado da economia, bandeira inalienável da Fiesp. Tal meta pressupõe mais investimentos, respeito ambiental, ética na produção e melhoria do ensino. Para que tudo isso seja viável, defendemos a responsabilidade fiscal do governo e as reformas estruturais da previdência, sistema tributário e política. Também é imprescindível o sucesso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Por isto, estamos cobrando e sugerindo medidas para seu incremento.
A agroindústria - em especial a bioenergia - assume grande significado. A produção de etanol e a tecnologia nacional para seu uso no setor automotivo são diferenciais expressivos. Os investimentos em curso expandirão nossa capacidade produtiva dos atuais 18 bilhões de litros por ano para 25 bilhões, já em 2010. A Fiesp trabalha para construir agenda positiva a partir dessa vantagem competitiva, principalmente com vistas à redução do protecionismo das nações ricas.
Isto remete à questão ambiental e ao aquecimento do Planeta. Neste aspecto, o Brasil também apresenta condições estratégicas, pois os relatórios da ONU mostram ser decisivo reduzir o uso de combustíveis fósseis, bem como promover energias renováveis e maior eficiência na agricultura, ou seja, medidas cuja consecução depende muito de nosso país.
No eixo do ensino, devemos, igualmente, reivindicar agilidade, sugerir providências e contribuir para o sucesso do Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE). E, claro, continuaremos fazendo nossa parte, por meio do Senai e do Sesi. Exemplo da prioridade que conferimos à área é o fato de termos instituído, em 2007, o Ensino Médio na rede do Sesi (SP).
Essas são reflexões importantes no Dia da Indústria. É preciso, mais do que nunca, disseminar a consciência do papel do setor no desenvolvimento, que vai muito além dos já importantes fatores da geração intensiva de empregos e produção dos bens de maior valor agregado da economia.
PAULO SKAF é presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
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