Teve início no dia 21 de maio, segunda-feira, no MIS (Museu da Imagem e do Som), a exposição Vozes da Diversidade, uma mostra de fotos de Fabrício Borges Carrijo feitas durante sua viagem de dois meses por Japão, Cingapura, Índia, Quênia e Ilhas Maurício.
Elas estarão expostas para o público até o dia 21 de junho. O MIS fica na sede da Feac (Fundação Esporte, Arte e Cultura), na Rua Campos Salles, 2210, Centro.
O evento tem como objetivo demonstrar que, apesar da diversidade cultural entre as pessoas, todos são seres humanos, independentemente de sua nacionalidade, cultura, religião e condição social. "Através da arte, as fotografias, eu tento mostrar estas diferenças, que ao invés de causarem um conflito, devem proporcionar a cooperação", afirma ele. Quem for conferir o trabalho encontrará muitas imagens marcantes, como uma mulher orando em um templo budista em pleno centro de Tóquio (veja no destaque). "Das fotos, a de que eu mais gosto é esta, pois ao mesmo tempo que o Japão é aquela correria e reflexo da sociedade pós-moderna, tem paz, pessoas orando", revela. Além desta, os visitantes poderão conferir fotos onde aparecem habitantes da Índia e do Quênia que, mesmo com a situação difícil de seus países, são hospitaleiros, parecem felizes e estão sorrindo nas fotos. Outra novidade da exposição é o Brasil sendo mostrado. A única imagem brasileira foi tirada na praça Nossa Senhora da Conceição e mostra um mendigo dormindo no chão. "Tirei esta foto na véspera do Natal, com as ruas todas iluminadas, o comércio em momento de boas vendas. Mas que Natal é este para esta pessoa?
Que valores são estes?", indaga o rapaz, que também expõe fotos da Argentina do período em que esteve morando e trabalhando por lá no Departamento de Relações Internacionais da ONG "Poder Ciudadano", de julho a agosto de 2004.
Fabrício tem 24 anos e é formado em Relações Internacionais pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e em Direito pela FDF (Faculdade de Direito de Franca). No ano passado, quando se encontrava no último ano dos dois cursos, foi selecionado dentre todos os campi da Unesp para participar do programa "Ship for World Youth", organizado pelo governo japonês com o apoio da ONU (Organização das Nações Unidas). O projeto acontece todos os anos e dá a jovens de muitos países a oportunidade de viajar em um navio por diversos lugares do mundo. Na 18ª edição, Fabrício viajou por dois meses e guarda na lembrança cada lugar por onde passou. "Na preparação para o programa, cada participante ficou isolado em uma parte do Japão. Eu fui para Fukuoka, sul do país, e fiquei hospedado em uma casa de família. Lá o legal foi ver a capacidade do ser humano se comunicar, mesmo sem falar um idioma em comum. Nós conversávamos através de mímica, desenho, gestos, e por eles serem músicos, tocávamos piano, berimbau. Esta experiência foi muito boa, pois a música agiu como uma forma de diálogo", relembra o jovem.
A viagem foi feita no navio Nippon Maru, onde havia cursos diversos. Segundo Fabrício, a embarcação era um grande salão de debates sobre cultura, desigualdade social, guerra e paz. "No navio nós tínhamos cursos de educação, meio ambiente, economia, e grupos de teatro, dança e música foram criados entre os representantes", relembra ele, que ainda comenta sobre as apresentações culturais. "Todas as noites algum país mostrava a sua cultura. Com o Brasil nós trabalhamos a questão da diversidade, da colonização, com uma apresentação teatral com dança e música. Tudo foi tratado de forma bem realista, sem aquela falsidade que muitas vezes acontece", afirma.
PROJETOS
Além de graduado em Relações Internacionais e Direito, Fabrício também é professor de inglês e espanhol, faz parte do Núcleo de Ensino da Unesp, e é um dos fundadores do Departamento de Relações Internacionais da ONG (Organização Não-Governamental) Franca Viva, onde busca a criação do projeto "Arte pela Paz", ainda em fase de implementação. O objetivo desse projeto é mostrar que a violência presente na região do Jardim Aeroporto, a rivalidade e a falta de perspectiva, atreladas à criminalidade e às drogas, podem ser superadas por meio da interação entre a população conflitante através da arte. "Nós prepararemos cinco oficinas de arte para que haja uma interação entre as pessoas, que na rua estão brigando, mas nas aulas terão de cooperar, de conviver. Vão ter de se tocar, atuar junto, mostrando, assim, que é possível conviver com as diferenças", adianta Fabrício, que revela um dos desafios do projeto previsto para iniciar na segunda quinzena de junho. "O nosso maior desafio é a parceria com empresas para arcar com os salários dos professores, a camiseta do programa, equipamentos para as oficinas e alguns materias. Afinal, as pessoas precisam estar num ambiente digno", afirma.
As oficinas programadas são Teatro e Circo; Cultura Popular Brasileira; Dança, Hip-Hop e Música Reciclada. A última, destacada por Fabrício, trata da possibilidade dos participantes criarem instrumentos musicais. "Esta oficina é interessante pois os alunos vão fazer músicas através de materiais recicláveis", comenta ele, que vê a iniciativa como uma forma de afastar as pessoas das drogas e do crime. "Durante o tempo em que eles estiverem nas oficinas, não vão estar na rua. Vão se ocupar com alguma coisa saudável", afirma.
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