Que o francano gosta muito de beber todo mundo já sabe. E não só bebe, como fuma muito também. Se for levado em consideração o percentual desses dois vícios nas despesas das famílias francanas, o gasto anual é maior do que produtos de necessidades básicas, como medicamentos, eletrodomésticos, calçados, produtos de limpeza e higiene, matrículas e mensalidades escolares e vestuário confeccionado.
De acordo com o levantamento realizado pelo instituto Target Marketing, um dos mais conceituados no ramo de pesquisas de mercado do País, são R$ 50 milhões por ano gastos na cidade em produtos relacionados ao fumo, o que representa 3,34% de tudo que é consumido em Franca. Em relação ao consumo de bebidas, o percentual é menor, mas ainda assim é o quinto maior dentre as 20 cidades mais “gastadeiras” de São Paulo: 1,44% de todo o consumo, o que dá mais de R$ 30 milhões por ano. Pelos cálculos da pesquisa, cada família francana gasta R$ 34 por mês com bebidas e R$ 55 com cigarros.
Apesar de estarem incluídos sucos artificiais, cafés, mates, refrigerantes, aguardentes, vinhos e outras bebidas alcoólicas, é possível concluir que a cerveja é a grande responsável pelo percentual do item nas despesas gerais. Em levantamento realizado pelo Comércio da Franca em dezembro do ano passado com distribuidoras de bebidas, são 420 mil garrafas de cervejas comercializadas por dia na cidade e região. Com preço médio de R$ 2,10 a garrafa, chega-se ao valor de R$ 10,5 milhões gastos com cerveja ao ano.
De acordo com o estudo da Target Marketing, que reúne informações da FGV (Fundação Getúlio Vagas), IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), Secretarias estaduais de governos e projeções econômicas futuras dos municípios brasileiros, o consumo de bebidas e fumo é maior do que de produtos de higiene (1,43% do total consumido), calçados (1,27%), produtos de limpeza (0,62%), matrículas e mensalidades escolares (0,57%) e livro e materiais escolares (0,57%). Se for considerado os dois itens juntos, ficam para trás os gastos como eletrodomésticos (3,50%), medicamentos (3,38%), gastos com veículo próprio (3,28%) e vestuário confeccionado (2,94%).
SEM SURPRESAS
Os números não chegam a assustar quem lida com o problema do alcoolismo no dia-a-dia. É o caso da psicóloga e gerente do Caps (Centro de Atenção Psicossocial), Sirlene Barreto. Ela diz que o número de pessoas que procuram por atendimento é muito grande e a pesquisa só vem confirmar isso. “Já tínhamos uma idéia de que (o gasto com bebidas alcóolicas) era alto. Temos muita procura, mas é difícil as pessoas permanecerem por causa da disciplina que cobramos dos participantes”.
O Caps oferece constantemente 20 vagas por turno para quem quiser se livrar do vício e está implementando um trabalho relacionado ao tabagismo.
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