O secretário afastado de Planejamento Urbano, Wilson Teixeira, que está sendo processado por envolvimento na fraude da licitação do Córrego dos Bagres, que teria por objetivo desviar R$ 1,2 milhão dos cofres públicos, está, mais uma vez, na mira do Ministério Público. Desta vez, a acusação é que Teixeira teria aprovado obras de infra-estrutura em um loteamento de sua própria imobiliária, o que caracterizaria improbidade administrativa.
O empreendimento em questão é o Jardim Ana Dorothéa, loteado pela Imobiliária Parati e que conta com Teixeira como um de seus sócios. A obra foi aprovada em 1999, ainda na gestão de Gilmar Dominici (PT). Ao longo desse período, várias melhorias estavam previstas no local, como demarcação dos lotes, abertura de vias públicas, implantação de sistemas de água e esgoto e asfaltamento. A verificação de todas essas obras foi assinada por Teixeira. Ou seja, ele aprovou o trabalho realizado por sua própria imobiliária.
Para o promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges, que abriu as investigações após denúncias junto ao MP, o que está sob suspeita não é a legalidade na execução das obras, mas a forma como foi conduzida a situação. “O secretário aprovou a conclusão das obras de uma empresa da qual ele integra a pessoa jurídica. Isso caracteriza improbidade administrativa por quebra da moralidade.
Teixeira foi procurado pela reportagem e disse desconhecer as denúncias. Reclamou ainda que Paulo Borges quer “acabar com ele”.
MAIS DENÚNCIAS
Durante as investigações, sobre o Ana Dorothéa, Paulo Borges acabou por descobrir outra ligação suspeita de Wilson Teixeira. Entre seus sócios na Imobiliária Parati, constam os nomes dos engenheiros Roberto Latorraca Lima, Régis Latorraca Ribeiro Lima e Paulo Roberto Bortoletto. Os mesmos empresários são proprietários, também, da Infratécnica Engenharia e Construções, empresa derrotada por Betontest e FFC na licitação para as obras do Bagres.
Até então, todos tinham seu papel na trama, menos a Infratécnica. Para Paulo Borges, a descoberta do vínculo da empresa com Teixeira é a última peça que faltava no quebra-cabeças da fraude no processo licitatório. “Ao meu ver, fechou o cerco”.
A Betontest venceu a disputa, com proposta de R$ 39,8 mil, seguida pela FFC (R$ 42 mil) e Infratécnica, que pediu R$ 44 mil, valor 10% acima do teto permitido no edital de licitação. Para o promotor, a Infratécnica pode ter entrado para perder no processo.
“Dentre os sócios da imobiliária, três são donos também da construtora. Isso indica a relação do ex-secretário quando fez a indicação daquela empresa para participar da licitação”.
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