Mais uma vez, os cortes nos atendimentos na Santa Casa voltam a assombrar a população de Franca e região, estimada em mais de 600 mil pessoas. O hospital aceitou, no último dia 15, a ajuda oferecida pelo Estado de R$ 600 mil mensais, mas deixou claro que o montante não é suficiente para sanear o buraco financeiro da instituição, que seria superior a R$ 1,2 milhão por mês. A saída, mais uma vez, será pedir recursos aos 22 municípios os quais atende (inclusive Franca). A solicitação já aconteceu outras vezes, mas nunca os prefeitos se dispuseram a pagar a conta. “Se acabar o dinheiro do SUS, quem quiser ter o atendimento terá de pagar por ele”, disse o superintendente da fundação, Fernando Bueno.
Desta vez, a despeito do que ocorreu em pelo menos outras duas oportunidades, em 2005 e no ano passado, a ameaça poderá ser levada adiante. Segundo Bueno, não há mais como cobrir o rombo causado pela defasagem da tabela de pagamentos do SUS (Sistema Único de Saúde). “O Estado já fez a parte dele. Ofereceu o que poderia oferecer. Agora, será a vez do Ministério da Saúde e das cidades. Se não ajudarem, os atendimentos serão reduzidos proporcionalmente ao déficit”.
O presidente da Fundação Santa Casa, José Cândido Chimionato, afirmou que o déficit a ser coberto pelos municípios será de aproximadamente R$ 280 mil mensais. “O prejuízo ocasionado pelo SUS é de R$ 1,2 milhão ao mês. Como temos planos particulares que ajudam a amenizar a situação, isso cai para R$ 1 milhão. Tirando a contrapartida do Estado (R$ 600 mil) e outras verbas complementares teremos de contar com as prefeituras. E a curto prazo”, disse. “A não ser que o próprio Estado resolva cobrir isso. Pode ser que não queiram nos ter como um parceiro capenga”.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde, o aceite da Santa Casa já está protocolado e o contrato ainda não tem data para ser assinado, o que deverá ocorrer “nos próximos dias”, em Franca, e poderá contar com a presença do governador José Serra, “se houver acerto em sua agenda”. O dinheiro deverá cair na conta do hospital entre duas e três semanas após a oficialização do convênio.
O PREJUÍZO
A Santa Casa divulgou ontem quais os procedimentos em que a tabela do SUS dá mais prejuízo. A “campeã” é a diária da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), que custa para o hospital R$ 955,61 e somente R$ 213,71 são ressarcidos, causando um rombo de R$ 741,90 por leito. A seguir, vêm o atendimento de urgência/emergência pediátrica, com R$ 28,40 de déficit (custa R$ 46,44 e são pagos R$ R$ 18,04; raio-x simples - custa R$ 32,36 e o SUS paga R$ 4,91, com prejuízo de R$ 27,45 por exame.
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