Quase metade das despesas das famílias francanas está relacionada à alimentação e manutenção do lar. É o que indica o levantamento “Brasil em Foco”, feito pela Target Marketing, uma das mais conceituadas empresas de pesquisas de mercado do Brasil. Baseado em dados oficiais de diversas instituições como IBGE, Seade e FGV, o estudo analisa como e com que produtos o francano gasta seu dinheiro.
O levantamento mostra que os gastos com alimentação são os que mais pesam na despesa das famílias da cidade. Por mês, os moradores de Franca consomem pouco mais de R$ 40 milhões só em comida (veja quadro). Na seqüência, aparecem os gastos da casa, com um valor de R$ 32,7 milhões mensais. Juntos, os dois itens são responsáveis por 41% das despesas das residências da cidade.
A corretora Cibele Rodrigues Cunha Ribeiro sabe bem o peso desses dois itens em seu orçamento. Com uma renda familiar de R$ 2 mil por mês, Cibele gasta em torno de R$ 600 com alimentação e R$ 482 com despesas residenciais. “Manter a casa e alimentar os cinco membros da família é muito caro. Esses itens consomem boa parte daquilo que ganhamos.”
Para Cibele, o ideal seria que a família gastasse menos com esses itens. “As despesas com comida e com a casa não poderiam ultrapassar os 30% do que ganhamos, mas infelizmente ainda não conseguimos economizar.”
Caso as despesas fossem reduzidas, a corretora disse que utilizaria o dinheiro excedente para apostar no futuro das filhas. “Eu ia investir em cursos, passeios e roupas para as meninas”.
De acordo com os parâmetros do levantamento da Target, são despesas com manutenção do lar os gastos com aluguel, imposto predial, condomínio, água e esgoto, energia elétrica, telefone, gás e consertos de móveis e eletrodomésticos, entre outros.
O alto custo para as necessidades básicas de alimentação e moradia não é privilégio de Franca. O professor de Economia do Uni-Facef, Hélio Braga Filho, disse que o perfil de gastos do francano é muito parecido com o de outras cidades. “Pela média brasileira, quase não há distorção. Por uma questão cultural, os francanos podem comer um pouco mais do que os paulistanos, por exemplo, e, com isso, aumentar o valor da despesa com alimentação. Fora a questão econômica, que é relativas à variação de preços, opções de produtos e locais de compra.”
E de fato, a alimentação pesa menos nas despesas do moradores da capital. Lá, o item corresponde a 19,63% dos gastos gerais. Já a média estadual é de 21,01%. O índice de Franca é de 22,27%.
O professor de economia cita ainda pontos que ele considera interessantes na pesquisa. O percentual das despesas destinadas ao transporte urbano foi um deles. O item fica em terceiro lugar no ranking dos maiores gastos no dia-a-dia do francano, correspondendo a 5,99% das despesas. Os possíveis motivos citados pelo economista são o preço da passagem e a predominância de edifícios horizontais na cidade. “Como a cidade tem poucos prédios, é geograficamente muito extensa.
Automaticamente a pessoa tem que pegar mais ônibus coletivos para se locomover e, com isso, gastar mais recursos, já que o número de veículos utilizados também aumenta”.
O valor gasto com roupas também chama a atenção. “O item vestuário confeccionado é relativamente pouco pelo número de estabelecimentos que atuam neste ramo.” O economista diz que o mesmo estudo mostrou em 2005 que o valor gasto com o segmento era de R$ 70,5 milhões. Hoje, ele tem uma movimentação de R$ 63 milhões. “A demanda abaixou e a oferta (número de lojas) aumentou. Isso é muito inusitado”.
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