Mensalmente, aqui na Agência Dinheiro Vivo, faço uma reunião de economistas do mercado e da indústria, os "Tornos e Planilhas", para discutir a conjuntura econômica. É um pessoal denso, sem a superficialidade das fontes em permanente disponibilidade da mídia diária.
Da última reunião saíram as seguintes conclusões:
1. Sobre a taxa Selic
Se o mercado é o melhor avaliador de riscos, se os sinais do mercado têm que ser considerados, como diz o Banco Central, então a taxa Selic está fora de prumo. No mercado, os juros futuros pré-fixados foram negociados abaixo de 9%. É como se o mercado estivesse apostando em uma taxa Selic de 8,5%.
Houve unanimidade sobre a necessidade de acelerar a queda da Selic. Para alguns dos economistas, só uma pancada grande reverteria a apreciação do real. Para outros, uma queda substancial poderia "desarranjar as expectativas do mercado".
Houve quem defendesse até uma redução de 2,5 pontos na Selic.
Alguns dos economistas acham que essa redução poderia provocar um crescimento da economia que não seria acompanhado pelo aumento da produção. Para outros, o fato do Brasil ter superávit nas contas externas mostra que a oferta é maior do que a demanda. Além disso, a China tem ampliado substancialmente a oferta de produtos, em áreas em que poderia haver algum aquecimento inflacionário.
Se o risco-Brasil está caindo, significa que os próprios investidores internacionais estão vendo risco pequeno no aumento do crescimento. Se houvesse riscos inflacionários no crescimento, a redução dos juros provocaria aumento do risco-Brasil, não redução. Se o BC não interpreta corretamente os sinais, e derruba os juros, quem cai é o câmbio.
2. A teoria da "jabuticaba"
Foi lembrado que há dois anos o Brasil está pagando um yeld abaixo de 6,5% (taxa de retorno externa), contra uma taxa Selic que era de 15, 16%, ao mês.
Tudo isso foi decorrência do mito que se criou sobre a "taxa de juros de equilíbrio" de 8%, a famosa "teoria da jabuticaba" do Pérsio Arida - alvo, aliás, de inúmeras críticas que fiz na época ao Pérsio. Dizia-se que se a taxa real caísse abaixo desse nível, haveria inflação.
Houve consenso dos participantes que quando surgiu essa história dos "juros de equilíbrio" não havia sequer um modelo capaz de validar a hipótese. Com isso, o BC acabou mirando o alvo errado. Os juros de equilíbrio no Brasil são muito menores do que os 7 ou 8% anunciados anos atrás, conforme conclusão unânime do grupo.
3. Choque de importações
O choque de importações - abrir todas as comportas por três meses - foi veementemente condenada pelo grupo. Seria uma maneira de aproveitar uma janela de oportunidade para gastar da pior forma possível os dólares excedentes: no aumento do consumo.
Mas foi defendida a diversificação das reservas brasileiras. Em vez de aplicar apenas em dólares, se aplicaria em empresas "triple A" (máxima segurança) no exterior, aumentando a rentabilidade das reservas. Hoje em dia, o governo só tem dividendos de empresas públicas como Petrobrás e Banco do Brasil.
CASO DANTAS
A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) condenou ontem Verônica Dantas, irmã do empresário Daniel Dantas, à inabilitação por dois anos do exercício do cargo de administradora ou conselheira fiscal de empresas abertas. Ela foi condenada por infração aos deveres de diligência e lealdade. Cabe recurso no Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional. O processo investigava irregularidades no pagamento de advogados pela Newtel, controladora da Telemig e da Amazônia Celular, em 2001 e 2002, quando ainda era administrada pelo Opportunity. Verônica era diretora e conselheira de administração da Newtel. Em meio à disputa pelo controle das empresas celulares, a CVM averiguou que a Newtel celebrou um termo de rateio com a Futuretel e com a Opportunity Mem (empresas que estariam acima dela na cadeia societária) para arcar com todas as despesas jurídicas referentes à disputa entre os acionistas. À época, o controle das empresas era disputado pelo Opportunity e pelos fundos de pensão. A Newtel efetuou gastos com advogados que não eram apenas de sua responsabilidade como também de suas controladoras (Opportunity Mem e Futuretel) e de suas controladas (Telpart, Telemig e Amazônia Celular). Na prática, a empresa centralizou custos de disputa societária em que 47% das ações estavam nas mãos de acionistas que atuavam como opositores no processo. Na avaliação da Comissão de Valores Mobiliá rios, a Newtel era objeto da disputa e não poderia responder pela despesa de um lado do litígio judicial.
CARTÕES FEMININOS
As mulheres ultrapassaram os homens em número de cartões de crédito e já detêm mais da metade dos cartões em circulação no Brasil. Ao final do primeiro trimestre deste ano, a população feminina detinha 50,2% do mercado de cartões, com 39,8 milhões de unidades. No primeiro trimestre do ano, as mulheres movimentaram R$ 18,8 bilhões no cartão de crédito em todo o Brasil. A participação feminina no volume transacionado aumentou de 44,7% para 45% entre janeiro e abril de 2006 e igual período de 2007. A pesquisa também indicou que o valor médio gasto pelas mulheres no cartão de crédito passou de R$ 83,5 no primeiro trimestre de 2006 para R$ 87 no mesmo período de 2007. Na distribuição por região, o Sudeste apresentou a maior participação feminina no trimestre, com volume de R$ 10,2 bilhões, o equivalente a 54% do total. Já o Nordeste aparece em segundo lugar na avaliação, com R$ 4,7 bilhões transacionados, ou seja, 25% do total.
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