Fechados e lacrados. Assim estão os dois bingos de Franca. Um mandado de busca e apreensão expedido, ontem, pelo juiz da 3ª vara criminal de Franca, Luiz Pinheiro Sampaio, mobilizou cerca de 30 policiais militares, 25 civis, cinco promotores criminais, além do procurador da República, João Bernardo da Silva, no fechamento dos bingos Estação e Montecarlo. Além das autoridades, aproximadamente dez caminhões e 20 funcionários da Prefeitura colaboraram na retirada das máquinas caça-níqueis .
De acordo com o delegado do 2º DP, Luiz Carlos da Silva, que coordenou a operação no Bingo Estação - localizado na Rua Diogo Feijó e que estava funcionando no momento - foram apreendidas 66 máquinas, R$ 21 mil em dinheiro e R$ 25 mil em cheques, além de 11 computadores. "Os materiais apreendidos serão registrados e periciados".
No Bingo Montecarlo - situado na Praça Barão e que não estava funcionando na hora - foram apreendias 94 máquinas caça-níqueis. Ao contrário do Estação, onde as máquinas foram abertas mesmo sem as chaves, no Montecarlo os caça-níqueis foram lacrados. "Vamos esperar os responsáveis pelas máquinas, que são de empresas de fora da cidade, comparecerem até amanhã. Caso contrário, abriremos as máquinas".
As investigações começaram há cerca de dois meses e, de acordo com o procurador, as liminares que garantiam o funcionamento dos dois bingos foram cassadas. "A Polícia Civil fez uma consulta à Justiça Federal para saber se essas liminares estavam vigorando.
Nós verificamos que elas haviam sido cassadas há pouco tempo e pleiteamos o mandado de busca e apreensão na Justiça".
O promotor do Ministério Público Joaquim Rezende Neto disse que a operação já estava sendo estudada desde quando foi descoberto o envolvimento de juízes e desembargadores que cediam liminares para garantir o funcionamento desses bingos. "Essas pessoas estão sendo alvo de investigação e as liminares foram cassadas".
Rezende Neto explicou que computadores, máquinas e documentos foram apreendidos para análise. "Por trás de uma prática inocente, como essas apostas, há inúmeras outras práticas mais graves como contrabando, descaminho e sonegação fiscal".
O promotor Cláudio Watanabi Scavassini, também presente na operação, ressaltou que as liminares estavam baseadas em leis estaduais e que o STF (Supremo Tribunal Federal) está para julgar o impedimento definitivo de tribunais de todo o Brasil autorizarem o funcionamento de bingos. "A súmula sobre bingos e loterias determina que é de competência apenas do governo federal autorizar esse tipo de atividade. Como não há uma lei federal para regulamentar o funcionamento desses estabelecimentos, a atividade se torna ilegal".
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