As liminares que mantinham os dois bingos de Franca funcionando foram expedidas pelo desembargador do Rio de Janeiro José Eduardo Carreira Alvim, que chegou a ficar nove dias preso numa cela da Polícia Federal pela operação Hurricane (furacão, em inglês), em abril. Ele foi detido como acusado de participar da máfia que vendia liminares aos bingos para mantê-los funcionando.
A informação é do procurador da República João Bernardo da Silva. Ele disse, porém, que ainda não há como afirmar que as liminares dos bingos francanos foram compradas. "Não temos provas mas os indícios são grandes".
A operação Hurricane teve início em 13 de abril, quando 25 pessoas foram presas, entre empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público Federal, Paulo Medina, nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal. A organização criminosa atuava na exploração do jogo ilegal e cometia crimes contra a administração pública.
As investigações sigilosas duraram um ano e foram ordenadas pelo ministro Cezar Peluso, do STF. Na operação, a PF apreendeu 30 carros de luxo, uma moto e uma grande quantidade de dinheiro.
Já Carreira Alvim responde em liberdade à acusação de participar da quadrilha que explora o jogo no Rio. Ele se afastou de suas funções no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (Rio de Janeiro e Espírito Santo) e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde é professor.
OUTRO LADO
O assessor jurídico e contábil dos bingos Estação e Montecarlo, Celino José de Sousa, disse que a liminar expedida por Carreira Alvim era da CBDC (Confederação Brasileira de Desportos para Cegos), que recebia a porcentagem do lucro dos bingos destinadas a entidades filantrópicas. "Nossa parceria com a CDBC já tinha terminado e a liminar que temos atualmente é de outra entidade que não tem ligação com esse desembargador". Sousa disse não estar com a liminar em mãos e que não lembrava o nome de quem a expediu.
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