Não é à toa que, nos últimos meses, Franca tem ganho filiais de grandes redes varejistas como C&A, Wal-Mart, Carrefour e outras de porte menor como Sellers, Kicasa, Montreal Magazine, entre outras. Um estudo divulgado pela Target Marketing, uma das mais conceituadas empresas especializadas em pesquisa de mercado, acaba de revelar o motivo para tanto interesse. Franca é hoje uma das cidades em que mais se consomem no Estado e no País. Em um ano, os francanos gastam quase R$ 2,2 bilhões na compra de produtos e serviços. Valor que coloca a cidade entre as vinte que mais gastam no Estado de São Paulo, desbancando municípios como São Caetano do Sul, Limeira, Araraquara e São Carlos, e entre os sessenta municípios cuja população mais gasta no País.
Com base no cruzamento de informações oficiais de diversos bancos de dados (Fundação FGV, IBGE, Seade, secretarias estaduais e outros) e projeções econômicas futuras dos municípios brasileiros, o estudo mostra que as maiores responsáveis pelo impulso no consumo em Franca são as famílias de classe média, que têm rendimento mensal entre R$ 497 e R$ 1063. Ao todo, elas respondem sozinhas por 35% do total gasto dos moradores da cidade. São 33,9 mil famílias da classe C (veja quadro ao lado) que, juntas, consomem mais de R$ 62,4 milhões por mês. O principal gasto ainda é com a alimentação e a manutenção do lar que inclui despesas com aluguel de moradia, condomínio, água e esgoto, energia elétrica, telefone, serviços domésticos e consertos domésticos. “A classe C é também a mais numerosa por isso seu consumo é alto. Agora se formos analisar proporcionalmente, de longe, as famílias da classe A são as que mais consomem”, disse o professor de Economia do Uni-Facef, Hélio Braga Filho.
Para se ter idéia do que diz o economista, enquanto uma família de classe média gasta por ano R$ 22 mil, as despesas de uma outra da classe A ultrapassa os R$ 154 mil, sete vezes mais. “Em outras cidades, essa diferença é ainda maior. Em Franca, os dados diferem porque boa parte das famílias com alto poder aquisitivo prefere gastar com lazer e compras em outros centros urbanos como Ribeirão Preto e São Paulo”.
Com sua economia ainda baseada na indústria calçadista, Franca, segundo dados da Target, é uma cidade dominada pela classe média, que engloba as faixas de renda B2 e C. “Aparentemente, isso prova que a distribuição de renda na cidade não é tão ruim como em outros pontos do país, em que a riqueza fica concentrada apenas na classe A”, disse Hélio Braga. Das mais de 75 mil famílias que vivem em Franca, apenas 391 pertencem à classe A, que têm renda superior a R$ 5.555. Por ano, elas consomem R$ 60,3 milhões.
Para Hélio Braga, a colocação de Franca no ranking do consumo poderia ser ainda melhor se o setor industrial não estivesse enfrentando uma crise provocada pela queda no dólar que derrubou as exportações e pela invasão de produtos chineses no mercado interno. “Temos potencial para crescer e, conseqüentemente, para elevar o poder de compra da população. Mas, para isso, é preciso que os negócios da indústria calçadista sejam retomados”.
Colaborou Marco Felippe
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