Eles ganham a vida trabalhando de cidade em cidade. Ficam longe da família, amigos e esposas. Vivem em pequenas barracas, com apenas algumas peças de roupas; alguns dormem em colchões, à luz da lua. Essa é a rotina dos vendedores ambulantes que trabalham noite e dia oferecendo alimentos, bebidas e presentes nas festas. O principal objetivo deles é ganhar dinheiro em busca de uma vida melhor. Quem já foi curtir a 38º Expoagro (Exposição Agropecuária de Franca), já notou a quantidade desses profissionais dentro e fora do Parque “Fernando Costa”. E se você acha que não compensa viver assim, está enganado.
Dependendo do evento e do que vendem, faturam até R$ 1500 por noite.
Mas quanto pagam para montar e garantir seu espaço? O vendedor Admilson André Alves Santos de 23 anos, investiu mais de R$ 3 mil para conseguir vir para Franca. Ele mora em Sete Lagoas (MG), que fica há mais ou menos 420 quilômetros daqui. Tudo isso para ganhar uma graninha vendendo doces, bebidas e cigarros. “Por noite, chego a vender até R$ 800, mas isso depende de qual show terá no dia”, disse. É a primeira vez que ele vem para Franca e o que gosta nessas viagens, além do dinheiro, são as amizades que conquista. “Cada cidade que vou, conheço mais pessoas. O dinheiro às vezes é pouco, mas os amigos fazem valer a pena”.
Desde os 13 anos de idade, Admilson trabalha assim e afirma que ser vendedor foi o melhor emprego que conseguiu. “Já trabalhei como cozinheiro num restaurante, mas não gostava tanto. Por mais que seja difícil dormir em colchonete, prefiro assim”, disse.
Segundo a organização da Expoagro, a feira gera cerca de 800 empregos durante os dez dias de agito e injeta mais de R$ 500 mil na economia local. E neste ano, os freqüentadores estão mesmo a fim de beber. Na barraquinha de “pinga no bambu”, os “sócios” Luís Carlos, 30 e Maicon Assunção, 18, chegam a vender até R$ 1500 por noite. Eles são de Varginha, um pouco mais de 280 quilômetros de Franca e vão ficar na cidade por dez dias. “Apesar de ficarmos fora de casa por muito tempo, não perdemos o bom humor. Compensa pelo dinheiro e pelas amizades que fazemos”, disse Maicon. Saudades de casa, os dois assumem que sentem. “Sou casado e não vejo a hora de reencontrar minha família de novo”, afirma Luís. Com Maicon não é diferente. “Tenho namorada e sempre que nos despedimos ela fica triste, mas depois compreende”.
Apesar de tudo isso, as histórias que eles têm para contar são muito interessantes. Como vendem apenas bebidas alcoólicas, já viram bêbados de todos os gêneros darem trabalho. “Aqueles que exageram na dose sempre atrapalham nossas vendas. Quando acontece isso, temos que tentar conversar e pedir para irem embora”, disse Luís, enquanto Maicon acrescentava. “Nem sempre isso dá certo. Quando encanam em segurar a estrutura da barraca, ninguém tira mais”, brincou.
Quanto à comida, as barraquinhas de cachorro-quente são as que mais lotam, principalmente no final dos shows, que é a hora dos baladeiros saírem da festa. Luís Felipe Costa, 17, sabe disso. “Sempre quando saio das festas, passo em alguma barraca de hot-dog para comer”, assume.
A 38ª Expoagro começou na última sexta-feira, 18, e segue até este domingo, 27.
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