O operador e a Navalha


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O que a “Operação Navalha” da Polícia Federal trouxe à tona foi a atividade de um dos setores mais florescentes do mercado brasileiro: os operadores públicos. Por tal, entenda-se o funcionário, ou o lobista especializado em descobrir onde gira o dinheiro na área pública. Não se trata de atividade comezinha. O sujeito tem que entender de orçamento, estabelecer uma teia de relações entre os técnicos de carreira do governo, entre políticos. E, depois, pontes com os sucessivos ministros que assumem a pasta. Toda disputa em torno de Ministérios, por parte dos diversos partidos políticos aliados, além da prestimosa vontade de ajudar o País, tem como objetivo maior o operador. Não interessa para a maior parte dos ministros fisiológicos o ministério, sem o operador. Sem esse técnico especializado, o Ministro fica vendido, dá passos errados, colhe migalhas ou encrencas. As duas maiores crises políticas do Brasil moderno tiveram como pano de fundo os operadores. Fernando Collor pretendeu centralizar as operações com PC Farias. Entregou dedos despidos de anéis para seus aliados políticos. A CPI do Impeachment teve um pingo de indignação cívica e uma montanha de indignação do movimento dos “sem operadores”. A segunda grande crise foi do governo Lula. Lá, mais uma vez repetiu-se o pecado político de pretender entregar ministérios e preservar os operadores para partido. A reação solar de Roberto Jefferson e de tantos varões-de-plutarco está diretamente ligado a esse erro monumental. A grande habilidade política de Fernando Henrique Cardoso foi ter entregue os ministérios de porteira fechada para seus aliados. O PFL ficou com o setor elétrico, e seus “eletrocratas”. O PMDB ficou com o setor de transportes. E foram todos felizes para sempre. Pelas características dos “operadores”, as sucessivas CPIs que chacoalharam o País nos últimos anos não poderiam ter dado em nada. Marcos Valério servia ao PT, como serviu a Eduardo Azeredo e a governos tucanos, e como serviria a governos pefelistas e quem quer mais que precisasse de seus serviços. Não é por outro motivo que o esquema desvendado envolvia, no Maranhão, praticamente todos os grupos políticos, adversários históricos, de José Sarney a Jackson Lago. Ou em Alagoas de Ronaldo Lessa a Teotônio Villela Filho. O “know how” exigido de um partido político brasileiro que ascenda ao poder é saber onde reside o poder no Congresso, e como se locomover nessa teia dos operadores. Qualquer articulador político bem monitorado conhece os endereços de Brasília, do Rio, de São Paulo e de outros Estados. Aí se está falando de recursos orçamentários. Se quiser aprofundar o jogo, vai se entrar no campo dos prestadores de serviços, firmas de vigilância e limpeza, que praticamente dominam os governos federal, estaduais e de grandes capitais. Vez por outra entra um desmancha-prazer na história, como a Polícia Federal, e liquida um esquema. A oposição faz um carnaval danado, consegue seus pontinhos junto à mídia e à opinião pública. Depois, trata de esquentar a pizza, porque ou o operador já lhe prestou serviços, ou virá a prestar. CONTRABANDO A Polícia Federal prendeu ontem, em três Estados (GO, MS e PR), 58 pessoas suspeitas de integrar uma quadrilha acusada de contrabando de cigarros do Paraguai, corrupção e lavagem de dinheiro. Entre os detidos na Operação Contranicot, como foi batizada, estão seis policiais civis de Goiânia (GO) e três policiais militares de Anápolis (GO), entre eles um aposentado. Eles são suspeitos de extorquir empresários e comerciantes. Outro policial civil de Goiânia era procurado até a noite de ontem. Acusados de concussão (extorsão praticada por agentes públicos), podem cumprir pena de três a oito anos de prisão. Ao todo foram expedidos 64 mandados de prisão e 77 de busca e apreensão em 13 cidades de Goiás, Mato Grosso do Sul e Paraná. A ação mobilizou 236 agentes da PF. Cerca de cinco milhões de maços de cigarro falsificados entravam por mês no País por Foz do Iguaçu (PR) e por Ponta Porã (MS) e eram distribuídos na capital goiana. O esquema movimentava R$ 5 milhões por mês. Segundo a PF, os suspeitos eram divididos em cerca de dez grupos e trocavam serviços entre si, como acompanhamento da mercadoria na fronteira. TELES O fundo de investimentos americano Texas Pacific Group e o banco de negócios Goldman Sachs fecharam um acordo para a compra, por US$ 27,5 bilhões, da operadora de telefonia Alltel, anunciaram as três companhias. Sob os termos do acordo de fusão, Texas Pacific e Goldman Sachs Capital Partners adquirirão todas as ações comuns da Alltel por US$ 71,50 cada em dinheiro. O preço de compra por ação representa uma valorização de 10% sobre a cotação de sexta-feira. “A transação amplia o valor para os nossos acionistas e oferece à empresa parceiros” disse o executivo-chefe da Alltel, Scott Ford. A Alltel tem 12 milhões de clientes de telefonia celular, concentrados principalmente no sul, oeste e meio-oeste dos EUA e é a quinta maior operadora de celulares do país em número de clientes -atrás da Cingular, Verizon, Sprint e T-Mobile. A diretoria da Alltel aprovou por unanimidade o acordo de fusão e recomendou que os acionistas aceitem a transação. A operação, que seria concluída no quarto trimestre deste ano ou no primeiro de 2008, precisa ser aprovada pelos acionistas da Alltel e pelas autoridades de regulamentação.

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