Vanusa Elizabete Lima, 16, estudante. Alex Inácio da Silva, 20, sapateiro. Uma vida inteira pela frente. Dois sonhos interrompidos por causa do ciúme doentio do pedreiro Agilso de Souza Santos, o "Gil", 33. Enfurecido, ele matou os dois jovens a facadas. A adolescente foi atingida várias vezes nas costas.
Alex levou um golpe certeiro no coração. O assassino fugiu. Ele não aceitava o fim de um romance relâmpago com a garota. A tragédia abalou Cristais Paulista.
Era para ser um final de semana de festas para os familiares das duas vítimas. Vanusa batizaria a filha de um ano e dois meses na manhã de domingo. Alex comemorava o aniversário do primo na noite de sábado. Ela foi convidada para participar da festa a poucos metros de sua casa, no Bairro Nossa Senhora Aparecida, onde estava o amigo Alex. Em poucos minutos, a confraternização se transformaria em tragédia.
Eram 22 horas, quando Gil chegou sem ser convidado. Trazia na cintura uma faca e chamou Vanusa para conversar. Sem saber que ele estava armado, a garota resolveu sair à rua e já foi atingida. Alex correu para socorrer a amiga. Levou uma facada no coração. "Foi tudo muito rápido. Quando vimos o Alex, ele já havia sido atingido. Ele entrou com a mão no coração, tentou pegar uma cadeira e não conseguiu. A Vanusa estava correndo em direção à sua casa e o homem corria atrás, batendo e dando facadas nas costas dela", disse uma adolescente que participava da festa.
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Roberto Carlos Pereira Lima, 39, pai de Vanusa, estava assistindo à televisão e escutou a confusão em frente sua residência. Quando saiu, viu a filha ensangüentada, tentando se segurar no poste de iluminação. "Ainda vi ele dando facadas na minha filha. Fui ajudar a Vanusa e levei duas facadas nos braços ao tentar parar o assassino. Ao me atingir, saiu correndo e sumiu. Nós chamamos a polícia. Minha filha foi levada na viatura, enquanto um vizinho socorreu o rapaz".
Alex chegou sem vida à Santa Casa. Vanusa morreu na manhã de domingo. O assassino desapareceu. Boatos dão conta de que ele teria sido visto no cemitério, ontem, durante o enterro de Vanusa, e que estaria andando armado na cidade para matar o pai dela. Assustada, a família colocou a casa à venda e está na residência de um amigo. A prisão temporária do assassino foi pedida ontem, mas ele ainda não foi encontrado.
Gil trabalhava como pedreiro e havia construído a casa dos pais de Vanusa há dois meses e chegaram a ficar juntos algumas vezes.
Como a adolescente não quis levar o romance adiante, ele passou a segui-la e a fazer ameaças. Na tarde de sábado, poucas horas antes do crime, o assassino subiu em uma torre de telefonia celular, situada defronte da casa dela, e dizia que iria se matar. Queria chamar a atenção de Vanusa. "Como ninguém deu bola, ele desceu e foi para casa dele, que fica no mesmo bairro onde moramos. Voltou mais tarde e causou essa desgraça", contou um irmão da jovem.
Foi a segunda tragédia familiar consecutiva na região. Sexta-feira, o lavrador Cecílio Ribeiro Soares, 49, matou a facadas a irmã, Tereza Moreira da Silva, 39, e a filha dela, Viviane Moreira, 17, em Ribeirão Corrente. O assassino foi preso e não explicou os motivos do crime.
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