Muitos sorrisos, simpatia e palavras firmes contra a flexibilização das leis trabalhistas. Assim pode ser resumida a visita a Franca do ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT-RJ).
Ele veio à cidade a convite do deputado Marco Aurélio Ubiali para conhecer com mais profundidade o setor calçadista, que atravessa um momento de crise principalmente por causa do baixo preço do dólar em relação ao Real.
Brizolista convicto - era jornaleiro e foi iniciado pelo ex-governador do Rio na política no final da década de 70 -, Lupi continua a defender, no discurso, os ideais do velho professor. “Sou leal a Brizola mesmo depois da morte do mestre”, repete, sem se preocupar com as divergências que estes ideais possam provocar em seu atual chefe, o presi-dente Luis Inácio Lula da Silva (PT). Na véspera, após reunião do Conselho de Desenvolvimento Econônimo e Social, Lula defendeu mudanças na legislação trabalhista, criada há mais de 50 anos, e disse que é importante que ela seja revista.
No café do Comércio, onde começou o dia, Lupi afirmou que pretende dificultar o quanto puder a flexibilização das leis do trabalho, medida defendida pelo presidente para acelerar o crescimento do País. “Só aceito flexibilização se for para acrescentar direitos ao trabalhador. Retirar, nunca. Eu discuto como o Estado pode reduzir impostos para quem gera empregos (...) Mas nada que prejudique o trabalhador”.
Apesar da divergência pontual com Lula, Carlos Lupi não disfarça a admiração que tem pelo presidente. “O Lula é um encantador de serpentes. A gente vai ouvindo, vai mudando, vai fazendo o que ele quer. É um estadista, um grande negociador”, elogiou.
Informado que o deputado Gilson de Souza, eleito por Franca, tinha nascido em Minas Gerais, não perdeu a chance de fazer piada com a conhecida habili-dade mineira para a política. “Se Lula fosse mineiro, seria presidente da República Federativa do Mundo”.
Ao participar de um evento na Acif (Associação Comercial e Industrial de Franca), Lupi - que assumiu a pasta há apenas 45 dias - recebeu um documento com as reivindicações do SindiFranca (Sindicato da Indústria de Calçados), da Acif e da Associação dos Fornecedores das Indústrias de Calçados de Franca. No documento, as entidades pedem ao ministro que as medidas emergenciais anunciadas pelo governo federal sejam executadas até o fim do mês.
Entre as principais reivindicações estão a desoneração da folha de pagamento; devolução mais rá-pida de impostos retidos na exportação e medidas de apoio estrutu-ral ao setor. Como resposta, Lupi afirmou que se sente “preocupado” com o setor, que atravessa “uma profunda crise”. Para ele, entretanto, o caminho é o investimento em capacitação do funcionário e tecnologia. “Claro que precisamos de medidas concretas que ataquem o problema agora, mas a crise nunca será resolvida sem investimento em tecnologia e qualificação do traba-lhador. Acho que é aí que o mi-nistério mais pode ajudar”.
Sobre a China - principal pesadelo dos calçadistas brasileiros - Lupi acredita que as condições do país comunista impedem a competição mais justa. “Em um regime como aquele não existe legislação trabalhista. Mas nosso sapato é de qualidade muito superior. Pode-mos competir, especialmente na Europa”, disse.
QUERIDO
Nas duas visitas que fez a fábricas de sapato - Democrata e Agabê - Lupi chamou a atenção de industriais. De prosa fácil, conversou sobre as dificuldades do setor e mostrou-se receptivo aos pedidos. Entre os empresários, fez sucesso. Miguel Heitor Bettarello, presidente da Agabê, não poupou elogios. “Foi uma visita muito importante. Ele é uma simpatia. Espero que o mi-nistro ajude o setor. Se houver libe-ração do crédito do Pis e Cofins, já seria de grande valia”.
João Carlos Cheade, presidente da Acif, concorda. “Não tem como não se encantar com ele. Atendeu a todos, sempre muito educado, muito espontâneo. Creio que ele conheceu o setor e deve ajudar”, acredita.
Colaborou Julianna Granjeia
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.