‘Achei que fosse morrer’, disse Pelizaro


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A voz vibrante e combativa, tão marcante nas entrevistas, na Tribuna da Câmara e nos comícios, deu lugar a um tom melancólico. Com a voz embargada, Gilson Pelizaro recebeu a reportagem e contou detalhes do drama vivido por ele, a mulher e os filhos. Por três vezes, o vereador se emocionou. “Pensei que fosse morrer” Comércio - Como foi a ação dos marginais? Gilson Pelizaro - Eu estava saindo com o carro da garagem para levar um filho na escola. De repente, apareceram três caras armados e me abordaram. Mandaram colocar o carro para dentro e entraram com a gente. Foram até o quarto da minha esposa, a pegaram e levaram para o quarto do meu filho. Colocaram ela, eu e os meninos lá e nos amarraram. Antes, colocavam o revólver na minha nuca e perguntavam onde tinha cofre. Falavam que sabiam que tinha dinheiro aqui. Eu dizia que só tinha dinheiro na carteira e na bolsa da minha mulher, mas eles insistiam com a história do cofre. Comércio - Chegaram a fazer ameaças de morte? Gilson Pelizaro - Sim. Perguntavam se tinha amor nos meus filhos e diziam que bateriam neles. Falavam: “nós vamos te matar, vamos te matar”. Reviraram toda a minha casa. Ficaram aqui cerca de 40 minutos. O desespero foi grande. Achei que fosse morrer. Eu rezava a todo o momento. Fiquei desesperado...(pausa e lágrimas) Graças a Deus não aconteceu nada de mais grave. Eu pensava sempre nos meus filhos e temia que fossem agredidos. Comércio - Vocês foram agredidos? Gilson Pelizaro - Puxaram meu cabelo e colocaram o revólver na minha nuca. Eu sempre era o alvo. Sempre eu. Me confundiram com o Gilmar. Falavam: “você é o Gilmar Dominici, você tem dinheiro”. Acabaram levando R$ 900 que havia recebido de uma ação e R$ 300. Comércio - O senhor pensou que fosse morrer? Gilson Pelizaro - Essa possibilidade não fugia da minha cabeça. Fiquei ajoelhado na cama do meu filho, sempre com um travesseiro na cabeça. Eles pediam para não olhar. Minha esposa ficou deitada, também com um travesseiro na cabeça. Meu filho de 4 anos teve os olhos tapados pelo meu menino de 13... (Gilson volta a chorar ao falar dos filhos), porque eles sempre ameaçam... Eu rezava e torcia para os caras irem embora. Comércio - Qual foi o momento mais difícil? Gilson Pelizaro - Quando colocaram o revólver na minha nuca. Na hora que senti o cano da arma, achei que fosse morrer. Falei: “Olha, tô morto”. Juro por Deus, foi terrível. Não desejo o que passei para ninguém. É uma sensação de impotência. Você quer defender sua família (Gilson volta a se emocionar e chora de novo) e não consegue....Você vê um cara amarrar seu filho e está com um revólver na cabeça, sem nada poder fazer. É terrível. Comércio - Você acredita que o roubo à sua família possa ter alguma motivação política? Gilson Pelizaro - Não tem nada a ver. O que eles queriam mesmo era dinheiro.

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