Após ser denunciada pelo Ministério Público por envolvimento na fraude da licitação do Córrego dos Bagres, que teria por finalidade desviar R$ 1,2 milhão dos cofres públicos, a FFC Engenharia e Construções mudou seu quadro societário: tirou José Darcy Franceschi, pai do engenheiro da Prefeitura Marco Antônio Franceschi, também citado pelo MP, e incluiu Rolyan Cintra Chagas, funcionário que trabalha na área de vendas da empresa.
A alteração foi oficializada pela Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo) no dia 13 de abril, portanto, 14 dias depois de o prefeito Sidnei Rocha (PSDB) ter cancelado a licitação das obras, que estavam orçadas em mais de R$ 4 milhões, por suspeita de fraude.
A FFC nega que tenha feito uma manobra para “mascarar” a irregularidade na licitação e que tudo não passou de uma substituição “necessária”. “O nome do senhor José Darcy constava só para manter a empresa como limitada (Ltda), houve problema, não sei se com o imposto de renda”, disse Rita Carvalho, advogada da empresa. “Ele só tinha 1% da empresa”. A advogada disse, ainda, que o pedido de alteração foi feito em 12 de março, antes do cancelamento das obras ser anunciado pelo prefeito.
EM FAMÍLIA
As investigações sobre o caso, realizadas pela Divisão de Auditoria Interna da Prefeitura e pelo MP, revelaram que havia uma velada “trama em família” no processo licitatório. Das três empresas que concorreram para a elaboração do projeto técnico da obra, duas são comandadas por parentes de Marco Antônio.
A Betontest Engenharia orçou o projeto em R$ 39,8 mil e foi a vencedora. A proprietária da mesma, Taísa Franceschi, é mulher de Marco Antônio. A FFC Engenharia, uma das que perderam, pertence a José Eduardo Corrêa, seu ex-cunhado (era casado com uma irmã do engenheiro, já falecida). Quando estourou o escândalo, seu pai, José Darcy, também figurava como sócio da empresa. A terceira empreiteira não foi arrolada no processo.
Procurado para falar sobre as ligações familiares e a mudança de donos na FFC, o promotor de Justiça Paulo César Corrêa Borges não quis dar declarações. “Tudo está sendo checado, mas por ora não vou antecipar nada”, disse. Os responsáveis pela Divisão de Auditoria Interna da Prefeitura também foram procurados, mas não foram encontrados para repercutir o fato.
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