Ele entrou atirando para todos os lados e não poupou ninguém. Visitas e entregas de sacolas suspensas por tempo indeterminado. “Dono” da cadeia transferido. Maior rigor na escolha dos presos de corredor e funcionários sob vigilância. As primeiras horas de Eduardo Lopes Bonfim como novo diretor chacoalharam o presídio do Jardim Guanabara. “Olha, na cadeia, agora, só tem uma pessoa que manda: Eu”.
Delegado-assistente da DIG (Delegacia de Investigações Gerais), Eduardo Bonfim assumiu interinamente a direção da cadeia, quarta-feira, em substituição a Alan Bazalha Lopes, que entrou de licença-prêmio. São grandes as chances de ser efetivado no cargo.
Tido pelos criminosos como linha-dura, Bonfim justificou sua fama logo no primeiro dia de trabalho. Munido de um ofício judicial, tentou tirar dois presos para ouvi-los na delegacia pela suspeita de envolvimento em roubos. Orientado por companheiros de cela ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), um dos detentos se recusou a cumprir a ordem, alegando que o prazo do ofício havia vencido. “Eles quiseram bater boca e eu deixei claro que não discuto com preso. Não admito esse tipo de reação e, como forma de castigo, mandei suspender a visita de domingo e a entrada dos jumbos (sacolas com alimentos e produtos de higiene, levados por familiares de presos aos sábados)”.
Outra medida anunciada pelo delegado foi a transferência de João Paulo Milani, 32, o “Cachorrão”, para a penitenciária de Serra Azul (SP). Suposto chefe do PCC, era apontado como líder dos presos e “dono” da cadeia, onde gozava de regalias, como acesso às dependências externas do presídio, por exemplo. “Também mandei mudar todos os presos de corredor. Somente os autores de crimes de menor potencial poderão fazer o serviço de faxina”.
Questionado se não temia represália, como uma eventual rebelião, por causa do endurecimento na relação com os presos, Bonfim disparou. “Aquilo que eles fizerem, vão pagar. Como diretor de cadeia, não vou esmorecer. Tem que ter disciplina e profissionalismo. Eu não vou deixar que os presos tomem conta”.
O novo diretor também não poupou os funcionários e afirmou que investigará a fundo as denúncias de envolvimento em fugas e facilitação na entrada de objetos nas celas. “Farei visitas-surpresa no presídio. Quem estiver fazendo algo que me desagrade será punido. Vou me reunir com os funcionários e colocar aquilo que eu quero. Quem não estiver de acordo, que peça transferência ou exoneração”.
O recado, ou o salve, como dizem os criminosos, foi dado. Resta esperar a reação.
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