Um seqüestro que começou na terça-feira, em São Paulo, terminou na tarde de ontem, no Jardim Consolação, em Franca. A vítima é o auxiliar de escritório Rogério Carneiro Pereira, 26, que alega ter sido tomado como refém a poucos metros de sua residência, na capital, trazido para Franca e mantido em cativeiro na cidade por mais de 40 horas. Seu sofrimento terminou na tarde de ontem, quando os bandidos o teriam libertado nas proximidades do Wal-Mart.
Sem ferimentos, mas bastante abalado, o rapaz registrou Boletim de Ocorrência e retornaria para casa na madrugada de hoje. Para a polícia, há pontos contraditórios no depoimento de Rogério que deverão ser esclarecidos nas investigações.
Auxiliar de escritório desempregado e sem grandes posses, Rogério diz que estava próximo de casa quando foi abordado por três pessoas, um homem, armado de revólver, e duas mulheres, que o obrigaram a entrar no compartimento de carga de uma perua Fiorino. Horas depois (não conseguiu precisou quantas), o carro parou e ele foi conduzido, de olhos vendados, até um cômodo escuro.
Disse que, no local, não apanhou, mas afirma ter ficado todo o tempo amarrado. Não havia marcas de violência em seu corpo. Por outro lado, cheirava mal, a suor, e tinha uma das pernas de sua calça suja, de acordo com ele, de fezes. No cativeiro, segundo ele, havia grande quantidade de excrementos pelo chão.
Os bandidos não teriam conversado com Rogério durante o seqüestro nem pediram nada. Quando conversavam entre eles, aumentavam o som do carro para que Rogério não os ouvisse.
Durante o período em que teria ficado como refém, disse ter recebido dois lanches, com pães de queijo, hot dog e suco. Às vezes, perdia-se na seqüência da história. “Não sei direito o que aconteceu. Só o que falei à polícia”.
Tão repentinamente quanto a abordagem teria sido sua libertação. Os marginais, sempre encapuzados e calados, teriam-no colocado novamente na parte de trás da Fiorino. Andaram por aproximadamente 20 minutos, abriram a porta e indicaram, por gestos, que descesse. Em seguida, arrancaram com o carro e sumiram de vista. “Estou confuso. Só sei que quero voltar para casa. Nada mais”, disse Rogério.
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