Depois de uma avalanche de más notícias, o setor calçadista recebeu ontem e hoje uma visita que pode ser uma luz no fim do túnel. Apesar da “quebra” da Samello, da redução das exportações e da queda do dólar para níveis abaixo dos R$ 2, o eslovaco Ivan Král’, diretor-executivo da Unido (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial), visitou indústrias da cidade e foi categórico: é possível sair da crise que assola as exportações de calçados. “É possível competir com a China. O Brasil é um dos únicos países que têm condições de continuar competindo no mercado de exportação”.
A visita de Ivan à cidade tem como objetivo preparar uma proposta de ajuda técnica para a indústria de calçados. Por este motivo, o diretor-executivo conheceu a realidade de empresas da cidade. Entre as visitadas ontem estão Agabê, Jacometti, Kissol, Democrata, Amazonas, além do Senai.
As conclusões de Ivan serão agrupadas junto às de outro membro da Unido, o brasileiro Miranda Cruz. O resultado será um estudo a ser entregue ao governo federal como sugestão a ser implementada no País. O estudo inicial de Miranda aponta que existe uma carência de suporte financeiro e tecnológico que atrapalha o setor.
De acordo com o eslovaco, o órgão da Onu pode trazer “experts” do setor, vindos, principalmente da Europa, para oferecer treinamentos de recursos humanos e nas áreas que as indústrias necessitarem. Uma das atitudes que o industrial francano precisa, na análise de Ivan, é aumentar a produtividade. “Este aumento de produtividade vai envolver uma série de fatores e, fatalmente, a redução da mão de obra”. Apesar de não contar com recursos para investimentos no país, um aporte financeiro pode ser conseguido para incrementar a indústria local.
Ivan segue hoje para Gramado, onde na segunda-feira participa do 16º Painel do Couro e de Produtos de Couro da Unido, que vai até o próximo dia 23.
QUALIFICAÇÃO
O pró-reitor de Administração da Uni-facef, Alfredo José Machado Neto, concorda com Ivan: é necessário aumentar a produtividade.
Mas essa não é, segundo ele, a única ação para salvar a indústria francana. A comercialização dos produtos também seria um dos motivos da crise. “Temos que ter marcas próprias, produtos diferenciados com valor agregado.”
Sobre a possível redução de empregos que um avanço tecnológico do setor pode ocasionar, Alfredo vê novas oportunidades. “Quando você investe, inova, você destrói empregos menos qualificados, mas geram outros com maior qualificação e acredito que o Senai vai ajudar muito neste sentido”.
Na mesma linha, o professor de economia Antônio Vicente Golfetto salienta que o emprego gerado com a tecnologia compensa a redução da mão-de-obra não qualificada. “A tecnologia significa um salto do emprego de baixa qualidade e grande quantidade para um emprego de qualidade superior, com melhores remunerações”.
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