Andar com uma vassoura, uma pá e um carrinho de lixo pelas ruas é a rotina de dezenas de trabalhadoras e trabalhadores de Franca. São as margaridas e garis, apelidos dado às mulheres e homens varredores de rua. Quase todos os dias, eles acordam cedo com a missão de manter as vias e praças da cidade limpas. E conseguem. Caminham, por dia, cerca de cinco quilômetros e chegam a carregar mais de sessenta quilos de lixo e sentem orgulho do que fazem. Alguns até garantem que é no trabalho que encontram felicidade. É entre os papéis, garrafas e folhas de árvores jogados no chão que essas pessoas ganham a vida.
Em homenagem a estes trabalhadores, o grupo Rotary Club Franca-Sul organizou uma palestra sobre a importância da profissão que exercem. Foram convidados dois funcionários da Colifran, a “margarida” Neuza Vieira Tarantelli Cubero e o coletor de lixo Leonardo Faleiros Garcia. O presidente do Rotary e um dos organizadores do evento, Tony Graciano, falou sobre a necessidade de valorizar esse profissionais. “É a primeira vez que alguém presta esse tipo de homenagem. Precisamos corrigir esta injustiça. Este trabalho é digno como qualquer outro.
Imagine nossa cidade sem eles”.
O Comércio embarca nas homenagens do dia do Gari, comemorado quarta-feira, e amplia a homenagem às margaridas. Geralmente 30 a 79 anos e com salário médio em torno de R$ 450, a jornada começa às 7 horas e só termina próximo das 16 horas. Ainda assim, garis e margaridas fazem do trabalho uma motivação para viver. É o pensamento de Maria Ramos Martins Souza Silva, de 58 anos. “Trabalho há dez anos e adoro o que faço. Moro no Jardim Vera Cruz e venho todos os dias de ônibus para o Centro. Não tenho do que reclamar”, disse. Maria acorda às 4 horas, toma seu café, apronta o uniforme e chega para o trabalho às 7 horas em ponto, é assim que começa seu dia. Como todas as suas companheiras, ela tem uma hora de almoço e aproveita esse tempo para descansar. “Na hora do meu almoço eu descanso para voltar ao trabalho melhor. Saio às 11h e volto às 12 horas. Quando chega 15h30 volto para casa”. E quem pensa que depois é só descanso, engana-se: “chego em casa e faço outra faxina. Lavo as roupas, limpo a casa, arrumo janta e só depois vou dormir”, completa.
Maria do Carmo Martins Batista, de 55 anos, mais conhecida como Carminha, é outra apaixonada pela profissão. “Não tenho do que reclamar. Nesses 16 anos que trabalho na rua, nunca me arrependi ou me senti triste. Tenho muito orgulho do que faço”, disse, com sorriso no rosto. O que mais a deixa feliz são as amizades que conquistou varrendo ruas. “Dou muito valor nas minhas amigas e amigos. Não seria tão bom trabalhar se não fossem as pessoas que me consideram também como uma profissional, mesmo trabalhando na rua”. Como Carminha, várias varredoras de lixo já receberam e recebem presentes e até dinheiro em datas comemorativas. “É muito bom esse reconhecimento, sempre fico emocionada”.
Foi limpando as ruas que Carminha acabou se tornando amiga da comerciante Rosani Gomes Brasão. “A Carmem é um exemplo de garra e determinação. Todos os dias a vejo sorrindo mesmo trabalhando sob o sol forte. Sou muito grata por esse exemplo de vida, por isso sempre no fim de ano faço questão de parabenizá-la e comprar uma lembrancinha”, disse.
Eunice Aparecida da Silva, 49, também é varredora e já aprendeu a lidar com as dificuldades que enfrenta no dia-a-dia. “O sol às vezes está muito quente, mas já me acostumei”, disse. Eunice mora no Jardim Aeroporto III e pega ônibus todos os dias com sua amiga Carminha. “Tomamos o mesmo ônibus quase todos os dias para trabalhar”, conclui.
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