O câmbio e a política


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Doze anos depois, a tragédia se repete, com agravantes: é a segunda onda de destruição cambial sobre setores exportadores, mal refeitos dos desastres anteriores. Porque essa repetição reiterada do desastre? A lógica é política. Nos últimos 12 anos, a política brasileira foi dominada por três personagens imbatíveis: o chamado mercado (com domínio total sobre o Banco Central), grandes corporações e grandes centrais sindicais do eixo Rio-São Paulo. FHC e Lula movimentaram-se em torno desses três eixos, disputando o mesmo espaço. Ao mercado foi dado o presente do livre fluxo de capitais. Com esse livre fluxo, os grandes investidores brasileiros mandaram seus recursos para fora, através de doleiros e contas CC-5, e trouxeram de volta para o País como se fosse capital externo, livre de impostos. Aqui, passaram a ser remunerados pelas mais altas taxas de juros do planeta. Com esse livre fluxo de capitais, em um mundo com ampla liquidez, há o risco concreto da apreciação do real, enfraquecendo as empresas frente a concorrência externa. O correto seria colocar obstáculos a esse livre fluxo. Acontece que esse livre fluxo é fundamental para manter viva a indústria da arbitragem financeira - para onde vão nove entre cada dez ex-diretores do BC. Para reduzir a pressão das grandes empresas com a apreciação do real, o BC providencia taxas de juros extraordinárias. Essas empresas podem antecipar exportações e aplicar no mercado financeiro. Com os ganhos, é como se sua taxa de câmbio efetiva fosse de R$ 2,40, ao tempo em que o dólar estava a R$ 2,10. As grandes centrais sindicais foram cooptadas com recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), tanto na era FHC quanto na era Lula. Finalmente, a grande massa dos eleitores de baixa renda foram atendidas pelo Bolsa Família e pelo carisma pessoal de Lula. Sem mais ninguém para pressionar, o restante do País ficou a ver navios, especialmente pequenas e médias empresas. O único momento em que Lula aparentou preocupação com o câmbio foi quando viu sua votação diminuir em Estados mais diretamente afetados pela apreciação cambial. Nesse modelo político, pouco democrático (já que apenas alguns setores têm voz), periodicamente setores inteiros são destruídos pela irresponsabilidade das políticas públicas. Depois, levam-se anos para serem remontados. Quando começam a respirar, nova onda destrutiva. É desanimador! São primários os argumentos para justificar essa loucura. A idéia de que o câmbio só afeta setores ineficientes é falsa. O câmbio afeta todos os setores que competem com produtos externos. Quem não consegue competir é destruído. Em uma economia cada vez mais globalizada, com esse câmbio a produção e o emprego nacionais são derrotados lá fora e aqui dentro. As empresas mais fracas são destruídas. As mais eficientes não conseguem crescer. Uma empresa que conseguiu 30% de ganhos em produtividade nos últimos anos seria campeã em qualquer país racional. Aqui, consegue apenas sobreviver. BANCO MUNDIAL Quarenta dias após o início da polêmica sobre a contratação da sua namorada, o presidente do Banco Mundial (Bird), Paul Wolfowitz, anunciou ontem que deixará o cargo no dia 30 de junho. Ele assumiu o posto em junho de 2005 e será o presidente que ficou menos tempo na liderança da instituição nos últimos 60 anos. Wolfowitz foi o décimo presidente do banco. Assumiu prometendo mais rigor com a corrupção nos países aos quais empresta dinheiro. Criado em 1946, o banco multilateral financia obras em países pobres e em desenvolvimento. Só seu primeiro presidente, Eugene Meyer, ficou menos tempo no cargo: seis meses. O antecessor de Wolfowitz, James Wolfensohn, permaneceu dez anos. Quando assumiu o Bird, o relacionamento de Wolfowitz com a namorada, Shaha Riza, então funcionário do banco, tornou-se público, e o Conselho de Ética da instituição recomendou a transferência dela para outro posto fora do Banco Mundial, mas com o salário ainda pago pelo órgão. Wolfowitz, segundo o Conselho de Ética do Bird, agiu diretamente na promoção e no aumento salarial de Riza, que foi trabalhar no Departamento de Defesa dos governo dos Estados Unidos. IMPOSTOS Entre janeiro e abril deste ano o governo federal arrecadou R$ 181,283 bilhões em tributos, o que representa crescimento real (já descontada a inflação) de 11,5% em relação ao mesmo período de 2006. Estão incluídos nesse resultado os R$ 45,712 bilhões arrecadados pela Previdência no período. Com a criação da Super-Receita, um único órgão responde pela cobrança de contribuições previdenciárias e tributos federais. Arrecadação diária no ano: R$ 1,51 bilhão. Só em abril foram recolhidos R$ 48,688 bilhões, o que representa aumento real de 9,22% em relação ao mesmo mês de 2006. Normalmente, a arrecadação de abril é puxada pelo pagamento do Imposto de Renda (IR) das pessoas físicas, pois nesse mês vence o pagamento da primeira parcela (ou cota única) para os contribuintes que ainda têm imposto a pagar após a entrega da declaração. Em abril a arrecadação de IR totalizou R$ 15,114 bilhões - crescimento de 18,9% na comparação com abril de 2006. Para Carlos Alberto Barreto, secretário da Receita Federal, esse crescimento é conseqüência do maior controle do Fisco, que passou a cruzar da-dos fornecidos por cartórios e corretoras de imóveis com declarações do IR.

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