Espaços da memória


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O Museu Histórico “José Chiachiri” já entrou no clima de sua comemoração de 50 anos de existência. Instalado em prédio do arquiteto Víctor Dubugras, precursor da arquitetura moderna no Brasil, foi erguido em 1896 para ser cadeia, prefeitura e câmara. Em 1957, um ano depois de Franca comemorar o seu centenário de existência como cidade, tornou-se museu. Franca conta ainda com outros quatro museus: o MIS (Museu da Imagem e do Som) “Bonaventura Cariolato”, o “Museu do Calçado”, que agora será dirigido pela Unifran (Universidade de Franca), o Memorial do Esporte, próximo ao Ginásio Pedrocão, e o Museu Interativo de Ciências, localizado no Colégio Champagnat. O primeiro deixa a desejar, no que deveria ser a sua função precípua: recolher imagens e sons da comunidade francana que o tempo fatalmente se encarrega de destruir ou transformar. O segundo, iniciativa louvável da família Samello, está em fase de mudanças e terá a administração da Unifran, segundo notícias divulgadas meses atrás. O Museu Histórico é dirigido pela historiadora francana Margarida Pansani há 22 anos. Formada em História e Museologia pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e na Faculdade de Museologia da USP (Universidade de São Paulo), ela sempre gostou de lidar com museus e considera o seu trabalho muito importante. “Eu sempre gostei de trabalhar aqui. Estou em atividade desde 1985 e isso pra mim é muito gratificante”, afirma a diretora, que compara a situação do Museu na época em que assumiu o cargo com os tempos atuais. “Era bastante desorganizado. As peças não estavam catalogadas e hoje ele está bem melhor do que quando o encontramos”, relembra. O professor e historiador José Chiachiri foi o fundador e primeiro diretor do Museu Histórico de Franca. Nascido em Vargem Grande do Sul, Chiachiri veio para Franca na década de 30, sendo que em 1957 criou o museu com a ajuda de doações da população. Segundo seu filho, o escritor Chiachiri Filho, ele foi o primeiro a lançar um livro sobre a história de Franca. “Muitos outros escreveram artigos, mas meu pai lançou um livro com base na documentaçao do museu”, afirma Chiachiri. Com peças valiosas para a cultura de Franca, o Museu Histórico possui móveis (sofás, camas, cadeiras) doados por famílias francanas, esculturas (de Alberto de Azevedo, patrono do Fórum, Carlos Gomes, Homero Pacheco Alves), quadros, relógios antigos, imagens religiosas, uma camisa do Brasil autografada pelo ex-jogador de futebol Pelé, dentre relíquias como urnas funerárias de índios caiapós que aqui viviam antes mesmo de se formar o primeiro embrião do que viria a ser a vila que daria origem a Franca. Uma das preciosidades do Museu é uma imagem de rosto de Nossa Senhora da Conceição, que se estima ter 200 anos. “Nós a consideramos uma imagem muito valiosa em termos religiosos, pois é bem definida, apesar do tempo. Veio da época da fundação de Franca, em meados de 1830, e em termos de antiguidade, é a peça mais procurada”, relatou Margarida, em entrevista ao Comércio. Localizado na Rua Campos Salles, 2010, o Museu sempre está aberto à visitação do público e chega a receber por volta de 100 visitas diárias. De acordo com Margarida, o dia de mais visitas ao museu é o sábado, quando as famílias estão no Centro fazendo compras e, como dispõem de mais tempo, visitam o Museu Histórico. “Em meses como janeiro, julho, dezembro, chegamos a ter mais de 1000 pessoas, inclusive turistas, pessoas de outros países como Portugal, Espanha, Bolívia. Isto tem um significado muito grande para nós, principalmente por ser um museu do interior, que geralmente é esquecido”, analisa a diretora. Ela também fala da boa receptividade da Semana dos Museus, evento promovido em parceria com a Associação Paulo Duarte. Esta trouxe várias palestras que trataram destes assuntos, como a história do Condephat (Conselho de Defesa ao Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico) do município de Franca e a criação da Associação Paulo Duarte, que trabalha pela conscientização das pessoas sobre a importância de se preservarem os bens patrimoniais da cidade. “Os assuntos tratados nos encontros são bem polêmicos, bem chamativos, e as pessoas têm aprovado muito”, comemora Margarida. Os eventos são encerrados hoje, Dia Internacional do Museu, com a palestra (20 horas) da arqueóloga Maria Cristina Scatamacchia, diretora do MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia) de São Paulo, falando sobre museu e cultura material. Logo após a palestra, poetas e grupos como “O Grito de Maria” e do Centro Cultural Cangoma apresentam um sarau artístico.

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