O papa e o aborto


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O Papa Bento XVI visitou o Brasil e certamente não esquecerá os momentos que viveu em nosso território. O representante de Jesus Cristo (Papa quer dizer Pedro Apóstolo Príncipe dos Apóstolos) pôde sentir o quanto o povo brasileiro é acolhedor, amoroso e terno. Todos o imaginavam radical mas ao contrário, ouviu e fez-se ouvido. Manteve firme a posição da Igreja sobre vários assuntos polêmicos e principalmente, contr o aborto. Tenho em mente que em breve seremos lançados a um plebiscito - consulta popular - sobre o tema. Os políticos vão recorrer ao povo para dividir a responsabilidade. Segundo o ministro da Saúde os homens são contra a legalização do aborto porque são homens; se fossem mulheres, seriam a favor. Não está certo o ministro. A contrariedade ao aborto vai muito além do sexo e a grande maioria dos médicos que fazem aborto são homens. Discordo porque no momento em que ocorre a fecundação inicia-se a vida e, por força da nossa Constituição, a vida é um bem inalienável. Discordo porque as formas de fazer o aborto são desumanas. Você sabe como é feito um aborto? Quais as técnicas? O que ocorre com o feto após? Quando eu soube, minha posição tornou-se ainda mais radical. Há vários fundamentos mas é bom saber que o abortado morre de maneira cruel. O Dr. Berbard Nathanson que chefiou a maior clínica abortiva do mundo e fez, pessoalmente, cerca de 75 mil abortos nos EUA, escreveu o livro ‘The Hand of God’ (A mão de Deus), no qual descreve técnicas – aliás, corroboradas pela norma técnica do Brasil, expedida pelo Ministério da Saúde. Segundo ele, por ultra-som viu-se que no momento da introdução do aspirador no útero o feto procurou se desviar e seus batimentos cardíacos quase dobraram quando o aparelho o encontrou. Assim que os seus membros foram arrancados sua boca abriu, o que deu origem a outro estudo e ao filme ‘The silent scream’ (O grito silencioso). E não pára por aí. Para abortar fetos de até 12 semanas esvazia-se a cavidade uterina com dilatação do colo uterino e curetagem. A dilatação do colo uterino deve ser suficiente para a introdução de Pinça de Winter, que servirá para a tração das membranas ovulares. Depois, curetagem. O procedimento prevê ainda a introdução de um comprimido de misoprostol 200 mcg, droga abortiva, intravaginal no mínimo 12 horas antes do procedimento. A Aspiração Manual Intra-Uterina (AMIU) compreende um jogo de cânulas plásticas flexíveis, além de um jogo de dilatadores anatômicos e seringas de vácuo. Preferentemente, deve ser feita sob anestesia local ou outra anestesia. A técnica consiste em dilatar o colo uterino até que fique compatível com a idade gestacional. Introduz-se a cânula e se procede à aspiração. Com idade gestacional entre 13 e 20 semanas a interrupção da gravidez se dá mediante a indução de misoprostol na dose de 100 a 200 mcg no fundo de saco vaginal. Após a eliminação do concepto, procede-se à curetagem. Acima de 20 semanas, não se recomenda a interrupção da gravidez. Deve-se oferecer acompanhamento pré-natal e psicológico, procurando-se facilitar os mecanismos de adoção se a mulher assim o desejar. Nota-se que na norma técnica existente o destino do feto não é revelado, mas, na verdade, o feto é incinerado ou vendido para empresas de cosméticos. Você ainda é a favor do aborto? ACIR DE MATOS GOMES é advogado com atuação em Tribunal de Júri

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