Rua Macapá, no Jardim Brasilândia; Rua Maria da Conceição Tasso, no Jardim São Francisco; Rua Alagoas, no Jardim Seminário... Esses endereços abrigam sonhos. Sonhos realizados graças ao trabalho de voluntários da Pastoral da Moradia, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Capelinha). Ao longo dos últimos 22 anos, o grupo já ajudou mais de cem famílias a conseguir o tão desejado lar para viver.
Considerado de utilidade pública, o trabalho conta com auxílio da Prefeitura faz dois anos. Os recursos são utilizados para comprar materiais de construção para doar a famílias que precisam construir ou reformar seus imóveis. A equipe conta com 20 pedreiros, donas de casa, assistente social e empresários voluntários para atender os moradores. “Queremos promover o ser humano; proporcionar alegria para as pessoas. Compartilhar a felicidade de quem consegue a casa própria e foge do aluguel é ótimo, muito emocionante”, disse a contadora Elza Campos, 62, tesoureira da Pastoral, integrante do projeto desde o início.
O trabalho é restrito a pessoas que moram em bairros pertencentes à Capelinha (leia mais sobre o atendimento em texto ao lado). “Infelizmente, não temos condições financeiras de atender outras regiões da cidade.”
Nas duas décadas de história, o projeto passou por transformações. Hoje, é responsável pela compra de materiais, mas anos atrás chegou a comprar terrenos, doar casas e construí-las por inteiro. “Hoje a demanda aumentou e os recursos são insuficientes para fazermos todas as etapas”, disse Elza.
A Capelinha mantém 18 casas geminadas nos Jardins Paulistano II e Aeroporto emprestadas para idosos e famílias carentes. Esses imóveis foram construídos em terrenos da própria paróquia com dinheiro do dízimo e doações. São feitos contratos de comodato com os moradores para o período de seis meses, renovados conforme a necessidade. “As famílias poderão morar nas casas até quando precisarem. Elas não têm para onde ir”.
A dona de casa Maria Veronez, 66, foi uma das primeiras contempladas com as casas do Jardim Paulistano II. Há dez anos, vive numa das cinco unidades da igreja localizada na Rua Professor Geraldo Malta. Ela morava na roça e, quando se mudou para a cidade, morou na casa de amigos em troca de cuidar de parentes deles. “Quando vim para a cidade, morava de favor.
Durante uns anos, cuidei da mãe de um amigo e depois do marido de uma conhecida, mas os parentes deles morreram e precisei de outro local para morar”. A residência da paróquia foi a solução. “É simplesinho e pequeno (sic), mas emprestado por pessoas de bom coração. Sou feliz aqui e gosto da companhia dos vizinhos”, disse ela, enquanto mostrava a cozinha, quarto e banheiro da pequena casa.
Para mobiliar seu cantinho, a dona de casa contou com doações também. “Só comprei a cama e o guarda-roupa. A cozinha e o sofá foram doados pelo meu amigo. Depois que a mãe dele faleceu, ele me doou os móveis da casa dela.”
A manicure Maria Inês Cintra, 52, mora no mesmo endereço de Maria Veronez. Até cinco anos atrás, morava numa casa alugada pelo filho, mas ele se casou e ela teve de conseguir outro local para viver. Sem condições de locar um imóvel, conseguiu, ao lado do companheiro José Batista, uma das casas da Capelinha. “Se não fossem eles, não sei para onde iria. Para mim, foi um presente de Deus.” A renda do casal é de cerca de R$ 200 por mês.
A reportagem contatou outras paróquias de Franca, como a São Judas, Catedral e Nossa Senhora das Graças, mas não realizam trabalhos relacionados à habitação.
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