Há mais de 100 anos que a dúvida se Capitu realmente traiu Bentinho persegue os leitores de Machado de Assis. Ela pode ser familiar para os verdadeiros fãs de Dom Casmurro, e inevitável quando se lembrarem de seus personagens, de sua história contada em capítulos breves e dos costumes da sociedade carioca do século 19 retratados no romance escrito em 1899. O mais interessante da história é que ela poderá ser debatida, discutida, resultando na condenação ou absolvição da personagem.
Tudo isso pode ser conferido hoje, às 10 e às 20 horas, nas duas apresentações do espetáculo Dom Casmurro - O Julgamento, que acontecem no Teatro Municipal “José Cyrino Goulart”, de Franca.
Com fidelidade à obra escrita por Machado de Assis, a peça se desenvolve com dinamismo, com o propósito de fazer com que os jovens vestibulandos, principais alvos, sejam captados e que possam assimilar cada detalhe da obra. É representada no palco com toques modernos, utilizando projeções, que remetem à volta do personagem principal Bentinho ao seu passado, e uma boa trilha sonora composta por Cadu Mendonça e Rony Guilherme.
Os figurinos, vestidos e ternos, representam bem o século 19, época encenada. “São todas roupas que remetam à época”, afirma Nilson Cardoso, produtor da peça, que também comenta sobre o cenário do espetáculo. “Usamos um fundo todo branco, pernas brancas nas laterais, tudo para casar com a projeção”, comenta.
Um dos diferenciais de Dom Casmurro - O Julgamento são os 10 minutos finais, ou melhor, o julgamento de Capitu, onde o público poderá condená-la ou absolvê-la. Neste momento o grupo também conta com a participação de dois espectadores, que são escolhidos antes do início do espetáculo. “Eles são preparados pelos atores e agem como advogados de defesa e de acusação dela.
Muitos já condenaram, outros a absolveram. Na maioria das vezes a Capitu é condenada. Depende muito das pessoas que são chamadas”, disse Nilson.
O projeto, da Companhia Arte e Mídia, reúne pessoas premiadas no teatro brasileiro. Segundo Nilson, a importância e o profissionalismo das pessoas envolvidas com a peça iniciam-se com o seu diretor, o paulistano Rony Guilherme. “Ele é uma pessoa premiada. Já recebeu muito prêmios e trabalhou com bons atores conhecidos como Reginaldo Faria e Paloma Duarte”, afirma.
Além disso, o espetáculo está no terceiro ano de estrada de sua segunda montagem. Ele já foi produzido em 1992, também com a direção de Rony, inclusive com a mesma proposta. Porém, os espectadores escolhidos tinham a chance de parar o espetáculo quantas vezes quisessem. “Hoje já não é mais assim. Apresentamos a peça normalmente. Só depois, nos dez minutos finais, é que eles têm a chance de falar e questionar”, disse o produtor.
Para o grupo, o resultado de todo este trabalho é muito bom. “Nossa peça foi escolhida como uma das cinco melhores do Teatro Municipal. Estivemos aqui no ano passado e estamos retornando”. Para Nilson, a iniciativa é muito boa e fundamental para as produções. “É muito bacana a iniciativa de Jô Ribeiro (diretor do teatro) de acolher as peças que vão a Franca. Para nós que viajamos, este apoio é indispensável”, comemora.
Serviço
Espetáculo: Dom Casmurro - O Julgamento Sessões: às 10 e as 20 horas. Local: Teatro Municipal (Avenida Sete de Setembro, 455) Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia) e R$ 8 (grupo fechado). Informações (16) 3723-9531.
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