Um clima tenso e medo de represálias rondam a obra da Fundação Casa (ex-Febem) nas margens da Rodovia Cândido Portinari. Trabalhadores, contratados por três empreiteiras diferentes e sob a administração da empresa Consladel, reclamam que os salários estão atrasados, mas não passam mais detalhes sobre o caso por temer repreensões.
Desde sexta-feira, cerca de 100 trabalhadores da construção estão parados, apenas cumprindo a jornada das 7 às 17 horas no local. Eles alegam que os salários, que deveria ter sido pago dia 10 deste mês, além das horas extras, estão atrasados.
O segurança da obra,Ricardo Pereira de Souza, contratado pela Consladel e que fica numa guarita controlando a entrada e saída de pessoas e veículos, não permitiu a entrada da equipe de reportagem do Comércio da Franca no local. Apenas alguns funcionários concordaram em relatar as dificuldades que estão enfrentando.
PPG, 38, veio de Jequitinhonha (MG), que fica a mais de mil quilômetros de distância. Ele é casado, tem sete filhos e passa dificuldades. “Todos aqui estão numa situação difícil. A luz de casa já foi cortada e ninguém explicou para gente porque o salário está atrasado e quando vamos receber”.
O receio dos trabalhadores em dar entrevista foi explicado por DAS, 38, de Montes Claros (MG) e VSS, 25, de Buriti dos Lopes (PI). “Os empregados que reclamaram do alojamento (leia mais no texto ao lado) foram transferidos para outra obra”.
O subdelegado do Ministério do Trabalho em Franca, Jamil José Leonardi, informou que o Ministério vai investigar o caso e tomar as medidas cabíveis.
OUTRO LADO
O engenheiro da Consladel, José Alexandre Piovesan, disse ontem que houve um atraso na medição da produção dos trabalhadores, que determina o valor do salário. “As empreiteiras são responsáveis pela contratação dos trabalhadores. As vezes elas não têm dinheiro em caixa para fazer o pagamento”.
No entanto, o encarregado geral da empreiteira Monte Gideon, Edimilson Miranda, explicou que houve um erro na medição de um engenheiro da Consladel, responsável pela obra. “Este engenheiro foi afastado e a Consladel ficou de repassar a verba no dia 25.
Não foi culpa da Consladel, foi um problema de uma pessoa que não tinha capacidade para estar no cargo”.
Miranda disse que os trabalhadores têm o direito de fazer a paralisação. “Eles não terão prejuízos e os dias não serão descontados. Não existe represália”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.