Câmara instala CEIs para investigar escândalo de corrupção no Bagres


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Quem esperava que os vereadores temessem a pressão do Executivo e não assinassem a abertura de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar a fraude na licitação das obras no Córrego dos Bagres enganou-se: na falta de uma, duas comissões foram aprovadas. A obra, suspensa pelo prefeito Sidnei Rocha em 30 de março, é tema de ação civil pública por parte do Ministério Público, que crê existir fraude na licitação. Após muito bate-boca e alfinetadas, os vereadores assinaram dois requerimentos, um de Silas Cuba (PT) e outro de Jepy Pereira (PSDB), e aprovaram a instauração de duas CEIs, simultâneas, para apurar o mesmo assunto. Há duas semanas, Cuba já havia tentado abrir a CEI (a primeira), mas teve suas pretensões sufocadas pelos aliados do prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Desta vez, a repercussão da fraude pela cidade, o afastamento dos envolvidos e a ação do MP fizeram com que os vereadores revissem a posição. Com dez assinaturas, o dobro do necessário, a comissão foi instaurada. “Vamos exercer nossa função fiscalizadora”, disse Cuba, que presidira uma das comissões. Jepy, líder do prefeito, surpreendeu e apresentou outro requerimento, para investigar a mesma situação, mas pediu retroatividade às denúncias feitas pelo MP ao ex-prefeito Gilmar Dominici (PT). Nessa CEI, Jepy será o presidente. Questionado sobre o porquê de sugerir a abertura da CEI dois anos depois das denúncias virem à tona, o tucano tentou justificar. “Está se fazendo (aCEI) em razão da denúncia feita pelo jornal. Agora, quando o jornal denunciou que haviam sacado R$ 840 mil da Prefeitura, nós, vereadores, não fizemos nada”, disse. A partir daí, o foco foi desviado para as divergências políticas entre as correntes petista e tucana. Gilson Pelizaro (PT) entrou na briga e provocou Jepy. “O objetivo é desviar o foco. Quero ver a quem essa CEI vai atingir. Vai cassar o mandato de quem?”, indagou. O tucano reagiu. “Se não há nada errado, não tem porque temer a investigação. Estão com medo do que?”, disse Jepy. Fora do plenário, na ante-sala da Câmara, a provocação continuou. “R$ 840 mil? O de vocês é R$ 1,2 milhão, vocês estão ganhando”, disse Pelizaro, referindo-se ao valor que, segundo o MP, estaria superfaturado na projeção de gastos das obras no Córrego. O presidente da Câmara, Joaquim Ribeiro (PSB), votou favorável à abertura dos dois procedimentos. Após a sessão, negou que tenha ficado “em cima do muro”. “Se fiscaliza um, que se fiscalize o outro. Tive uma postura de magistrado”, disse.

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