Pedro Antônio Souza Piroco, 51, é um dos 90 moradores do Lar de Ofélia. Há cerca de dois anos, incentivado por uma funcionária da instituição, Pedrinho - como gosta de ser chamado - encontrou na escrita uma forma de expressar seus sentimentos e contar sua vida. Ele foi alfabetizado por uma vizinha quando criança.
Mesmo com problemas nas mãos e dificuldades até para segurar o lápis, conseguiu colocar nas folhas de um caderno um pouco da sua história. Pedrinho narrou passagens da infância, familiares e os obstáculos enfrentados devido à sua deficiência. Ele teve caxumba aos 11 meses e a doença deixou sérias seqüelas: não anda - depende de cadeira de rodas para se locomover, não consegue falar direito e ficou com a coordenação motora comprometida. “Me esforçando, consigo fazer as histórias. Gosto de escrever o que estou sentindo, as coisas de que gosto e tenho vontade de fazer. Me sinto bem.”
No asilo, com ajuda do professor de informática voluntário, a obra foi digitada no computador e depois transferida para o papel. A professora do grupo de alfabetização imprimiu e encadernou a autobiografia chamada “Minha história quando era neném”.
Pedrinho é um dos idosos matriculados para as aulas. Os estudos, contato com revistas, jornais e livros o incentivam. O aluno faz planos de escrever o segundo livro em breve. O nome da obra já foi escolhido por ele: “Vai chamar ‘Sonhos de Pedrinho’”, disse, sorridente.
Pedro foi levado para o asilo de Franca por um amigo. Apesar de ter duas irmãs que moram na cidade, ele diz ter pouco contato com as familiares.
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