A pedagoga Edna Maria de Souza, 32, professora de educação infantil e do EJA, leciona há 11 anos. Há seis começou os trabalhos de alfabetização de jovens e adultos. Ela ensina pessoas entre 31 e 86 anos, moradoras do Lar de Ofélia, faz dois anos e percebe vários ganhos no dia- a-dia de seus alunos: “a auto-estima melhora, a socialização aumenta e os conhecimentos deles enriquecem.”
Os estudantes esperam ansiosos pelo “dia de escola”. Todas as terças, quartas e sextas-feiras, reúnem-se das 8h30 às 11 horas numa sala da instituição para aprender vogais, alfabeto, sílabas, palavras, numerais e operações matemáticas. Igual o início dos estudos das crianças, a professora aplica trabalhos em folhas de sulfite, recortes de revistas, leitura de jornais, revistas e livros, provinhas, etc. “Ensinamos passo a passo.”
Como em outros núcleos, as aulas no asilo também incluem momentos de distração. Os idosos fazem colares de miçangas, crochê, tapetes, pintam e comemoram datas do calendário brasileiro, como festa junina. “Há dias em que não estão dispostos a estudar e têm a liberdade de fazer atividades diferentes. É uma forma de distraí-los e resgatar dons. Muitos produzem peças muito caprichadas”.
Edna disse que os idosos demoram mais para aprender que as crianças, mas a força de vontade e responsabilidade que têm fazem a diferença. “Eles nos dão lições de vida diariamente. A sede de aprender e esperança de conseguir os motivam bastante.”
O interesse também é percebido no núcleo da Paróquia São Sebastião onde estudam pessoas entre 40 e 73 anos. “Trabalhamos com pessoas mais velhas e só o fato de estarem aqui já representa um esforço. Eles têm muita vontade de escrever e ler”, disse a professora Raquel Siqueira que calcula prazo de três a quatro anos para uma pessoa idosa ser alfabetizada.
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