Nunca é tarde para aprender


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Aos 69 anos, Antônio Luiz de Souza é visto durante aula de alfabetização no Lar de Ofélia: “Gosto de aproveitar o tempo para ler sobre espiritismo”
Aos 69 anos, Antônio Luiz de Souza é visto durante aula de alfabetização no Lar de Ofélia: “Gosto de aproveitar o tempo para ler sobre espiritismo”
Para ler a Bíblia, livros, jornais, revistas; conseguir tomar ônibus sozinhos, saber o que as placas das ruas e outdoors anunciam; para fazer parte do mundo... Essas são algumas das razões que motivam jovens e idosos a iniciar ou retomar os estudos. Pelo menos 540 pessoas, com seus 14 anos ou no alto dos seus 87, freqüentam os núcleos de alfabetização do EJA (Educação de Jovens e Adultos) e mostram que nunca é tarde para aprender a ler, escrever ou conhecer mais sobre a matemática. Em parceria com escolas, centros comunitários, igrejas, ONGs e asilos, a Prefeitura mantém 20 núcleos para ensinar alunos mais velhos de graça. As entidades fornecem o espaço físico para as aulas e a Secretaria de Educação, os professores. A dona de casa Nair Duarte precisou criar os três filhos primeiro para poder estudar. Aos 55 anos de idade, está sendo alfabetizada no núcleo da Paróquia São Sebastião. “Morava na roça e a única vez que pisei numa escola foi lá, mas não aprendi nada direito. Mal sabia meu nome”, disse. Aluna assídua, está no grupo de estudos há um ano e só faltou duas vezes. “Só não vim nos dias que minha mãe e um tio morreram. Gosto muito das aulas. Estou aprendendo a cada dia. Já consigo tomar ônibus sem ter de ficar perguntando para os outros qual está passando. Isso me deixa muito feliz”, disse, contente com a independência alcançada aos poucos. Moradora no Parque do Horto, ela estuda três vezes por semana e vai de ônibus. O Lar de Ofélia também possui um núcleo do EJA. Os encontros ocorrem às terças, quartas e sextas-feiras, duas horas e meia por dia. O grupo tem 15 alunos matriculados. Um deles é Antônio Luiz de Souza, 69, o “Baianinho”, que morava na roça e estudou até a 4ª série. Sabe ler e escrever, mas gosta de freqüentar as aulas e aproveita o tempo para ler livros espíritas. “Adoro conhecer mais sobre o espiritismo.” Companheiro de classe de Antônio, o carteiro aposentado José Donizete Campos, 51, é outro apaixonado pela leitura. Depois de um acidente de trabalho, ficou com as mãos atrofiadas e não consegue mais escrever, mas sempre dedica o tempo para ler jornais e se diverte com as tirinhas. “Aproveito o tempo para ler um pouco, principalmente humor. O Hagar é demais. Gosto de ficar informado e deixar meus colegas atualizados”, disse. QUERO ESTUDAR Interessados em participar do EJA devem procurar o núcleo do bairro, para fazer a matrícula. É preciso ter a partir de 14 anos e apresentar RG e comprovante de endereço. O início é imediato. “A Alfabetização corresponde aos ensinos de 1ª à 4ª séries. Como têm idade avançada, os alunos querem aprender a ler e escrever, é essa a proposta de ensino dos professores. Eles passam por treinamentos mensais para aprender técnicas de como trabalhar com as salas e para planejar suas aulas”, disse Rita Mozetti, coordenadora de alfabetização de jovens e adultos da Secretaria Municipal de Educação. O contato para saber quais os núcleos do EJA é (16) 3711-9203. O Grupo Educacional Veredas, no Recanto Elimar, é outra entidade de Franca a oferecer cursos para adultos. Os professores são alunos do Gapaf (Grupo de Alfabetização Paulo Freire) da Unesp de Franca. O Veredas é mantido pelo jornal Comércio da Franca e rádio Difusora. Informações sobre as aulas, que são gratuitas, são obtidas pelo (16) 3701-2433.

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