Sozinha, Usina Cevasa investe quase 200 vezes mais que calçadistas


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O setor de alimentos e bebidas da região de Franca, com destaque para o segmento sucroalcooleiro, tem deixado a cadeia coureiro-calçadista “no chinelo” quando o assunto é investimento. Dados de uma pesquisa feita pela Fundação Seade (Sistema de Estadual de Análise de Dados do Estado) divulgados nesta semana mostram que, no primeiro semestre de 2006, uma única usina de açúcar e álcool foi responsável por 98% dos investimentos da região contra apenas 0,5% da área de couro e calçados. Pela pesquisa, nos seis primeiros meses de 2006, foram investidos na região US$ 45,62 milhões. Os números têm por base, os anúncios de investimentos privados coletados da mídia impressa e eletrônica e confirmados posteriormente, junto às empresas, por telefone. No levantamento, são desconsiderados os investimentos feitos na construção de imóveis residenciais, nos gastos de promoção, de propaganda e marketing e de treinamento pessoal. Responsável por quase toda a aplicação de recursos privados na região, a usina Cevasa (Central Energética Vale do Sapucaí Ltda) de Patrocínio Paulista investiu sozinha US$ 44,5 milhões. O dinheiro deve ser aplicado na ampliação da capacidade de processamento de 1,4 milhão de toneladas de cana-de-açúcar por ano para 3 milhões em dois anos. Enquanto isso em Franca, o levantamento aponta que, das mais de 750 empresas calçadistas da cidade, somente a Carmen Steffens fez investimentos dentro do setor couro e calçados. Foram US$ 230 mil, o equivalente a R$ 500 mil. Gabriel Spaniol, gerente internacional de marketing da empresa, disse que os recursos foram gastos na readequação da produção, que foi preparada para uma nova demanda. “Tivemos que nos remodelar a fim de atender um maior volume de lojas, além do mercado internacional”. Para Hélio Braga, professor de economia e diretor do Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) da Uni-Facef, a pesquisa da Seade comprova a realidade. “O setor sucroalcooleiro está em uma fase positiva com demanda crescente, pois o álcool está prestes a ganhar o mercado internacional. Na oposição, o calçadista sofre uma retração já que a queda do dólar e a concorrência chinesa são ameaças constantes. Daí a diferença no nível de investimentos”. De acordo com Braga, o empresário calçadista não se sente estimulado a investir com câmbio e juros desfavoráveis. “No caso das usinas de açúcar e álcool, a situação é contrária. O empresário tem investido cada vez mais”.

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