Negócios em alta


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Melhorou o ânimo dos calçadistas da cidade. Os negócios no mercado interno estão em alta desde o início de abril e boa parte dos fabricantes já consegue dormir sem tomar tranqüilizantes (os exportadores continuam estressados e sob observação médica, à exceção de poucos). Vislumbra-se até agosto a permanência desse momento de descontração. Na semana passada, os fabricantes de calçados femininos eram os mais animados. Haviam produzido satisfatoriamente para o Dia das Mães e as vendas dos lojistas superavam em torno de 10% as registradas no mesmo período de 2006. Com o desempenho positivo do varejo nesta data, beneficiam-se também os produtores da linha masculina. Ao se capitalizar com o Dia das Mães, o lojista fica estimulado a fazer reposições de sapato masculino, explica Nelson Antônio Palermo, dono das marcas Francano (social) e Vitório Felice (esporte). “O caixa do lojista é só um, o dinheiro que entra não é carimbado, forma-se no varejo um ambiente de negócios mais favorável’, acrescenta. A chegada do frio incrementa o otimismo dos fabricantes (acentuado em alguns, moderado em outros, inexistente nos de sempre). Acreditam que essa época motiva o consumidor a renovar seu calçado. Certos ou errados, o fundamental é manter a fé, diria o frei Damião. Contribui ainda para as perspectivas favoráveis neste trimestre o Dia dos Pais. Embora seja comemorado em agosto, as fábricas iniciam no próximo mês a comercialização de seus produtos para aquela data. “Começar as vendas em julho não dá tempo para fazer modelos, fôrmas, produzir e entregar as encomendas’, afirma Palermo. Se o varejo de calçados tiver bom desempenho no Dia dos Pais, mantém-se o cenário animador para o segundo semestre. É muito provável que isso ocorra, porque a maioria dos setores industriais prevê crescimento da produção e das contratações de funcionários neste ano, de acordo com pesquisa da Confederação Nacional das Indústrias. Divulgada recentemente, a sondagem foi realizada no início de abril e os fabricantes de calçados entrevistados manifestaram-se pessimistas. Pode ser que nesse meio tempo parte deles tenha mudado de opinião. Na próxima pesquisa talvez integrem o elenco que projeta melhor desempenho neste ano. Talvez, quem sabe. O futuro a Deus pertence, apregoa-se. Nelson Palermo é mais um calçadista francano que firmou parceria com outras empresas para fabricarem suas marcas. Desde janeiro dedica-se às fases que antecedem a produção: desenvolvimento de produtos e comercialização. Fornece os modelos vendidos aos parceiros e recebe uma parte do faturamento. “Nosso objetivo nessa especialização é ter maior agilidade nos negócios’, diz ele. ‘Acredito que fracionar a atuação da empresa possibilita um crescimento mais rápido. Iniciamos essa transformação gradualmente, há dois anos.” UMA DAS CAUSAS As vendas de calçados e vestuário na região metropolitana de São Paulo cresceram 14% em março, melhor resultado para o mês desde 2005, segundo levantamento da Federação do Comércio. O aumento da produção dos calçadistas em abril decorre parcialmente desse desempenho. EXPECTATIVA Medidas para reduzir os custos das indústrias de calçados, têxteis e móveis devem ser anunciadas até o final da próxima semana pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Foi o que ele garantiu na sexta-feira retrasada, dia 4. O benefício prometido seria a desoneração da folha de pagamento desses três setores, que empregam muita mão-de-obra e estão com as exportações capengando. RECOMENDAÇÃO Estilistas recomendam a cor cinza às mulheres que pretendem se divorciar do sapato preto nessa temporada. Básico, elegante e versátil, segundo eles, o cinza combina com outras cores e as neutraliza - vermelho, rosa, verde e marrom, por exemplo. CURSO NO SENAI A escola Senai ‘Márcio Bagueira Leal’ ainda está recebendo inscrições para curso de planejamento e controle de produção de calçados que vai até meados de agosto. Exige-se dos candidatos idade mínima de 16 anos e 6ª série do ensino fundamental. Custo do aprendizado: 297 reais, parcelados em três vezes. PRESENTE O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, regulamentou na semana passada um projeto de lei aprovado há seis meses que reduz em até 47,5% a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) das indústrias de calçados instaladas na região metropolitana do Recife. O corte atinge até 90% do tributo para as fábricas do interior do Estado. A maioria atua na informalidade e a medida tem por objetivo torná-las visíveis e fiscalizáveis. EMBARQUES As exportações brasileiras de couros totalizaram 187 milhões de dólares em abril, saldo 35% superior ao de abril do ano passado (US$ 140 milhões).

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