Os militantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) voltaram a agir. Aproximadamente 70 famílias invadiram, na madrugada de ontem, o Sítio São José, em Cristais Paulista. O grupo é o mesmo que estava na Fazenda Santa Cruz, no mesmo município, desde setembro do ano passado e que também ocupou outras seis propriedades no municípios de Cristais, inclusive a propriedade da Família Samello. A propriedade invadida ontem fica na Estrada Vicinal Manoel Carrijo, Km 16, sentido Águas Quentes. O sítio São José é de propriedade da aposentada Inácia Monteiro Cardoso, 64, moradora em Franca, que esteve no local logo pela manhã acompanhada pela polícia. "Levei um susto quando eu fiquei sabendo. Fui avisada por um vizinho para quem arrendo as terras para criação de gado. Fui lá acompanhada pela polícia e registrei Boletim de Ocorrência", disse ela.
Como a invasão aconteceu por volta das 4 horas da manhã, os sem-terra não encontraram problemas, até porque os vizinhos da propriedades ficam distantes. "A ocupação foi pacífica e, logo que amanheceu, o pessoal começou a montar as barracas", disse Vilmar Silva, um dos coordenadores do MLST.
Silva afirmou ainda que a ocupação do sítio de 12 alqueires é uma estratégia. "Na verdade, o nosso interesse é a Fazenda Santa Célia, que está em processo de desapropriação pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e é vizinha ao sítio São José".
Muitas famílias teriam que dormir ao relento. Já era noite de ontem e a maioria ainda não tinha erguido a barraca. "A nossa situação está precária, mas pelo menos temos água. Quando amanhecer, as famílias vão montar os barracos", disse Antônio Roberto Dias, um dos militantes.
Uma das poucas barracas prontas era a de Nilza Maria Santos, que está com o grupo há mais de um ano. "Eu morava em Franca e resolvi acompanhar o movimento na esperança de conseguir terra para eu e meu marido trabalhar", disse. Outro que não pretende arredar o pé é Lauro Felício da Silva. "Deus vai nos ajudar a conseguir a fazenda".
No começo do ano passado, o mesmo grupo chegou a invadir outra propriedade vizinha à fazenda, mas ficou apenas dois dias e se transferiu para a Santa Cruz, próxima à divisa com o município de Claraval. "Não sei por quanto tempo vamos ficar desta vez", completou Lauro.
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