O escândalo dos Bagres - que envolve membros do primeiro escalão da Prefeitura - está causando grande desgaste político ao prefeito Sidnei Rocha (PSDB). Embora o tucano tenha agido rapidamente ao cancelar a obra fraudulenta, que poderia lesar o erário em R$ 1,2 milhão, as pesadas críticas da oposição, a cobertura atenta da imprensa e a acusação direta do Ministério Público a Wilson Teixeira, indicado pelo próprio prefeito para chefiar a Secretaria de Planejamento Urbano, bem como a Caetano Perobelli, chefe da Copel, podem trazer problemas para Rocha.
O prefeito evita comentar o caso. Publicamente, afirma que vai esperar a apuração promovida pela Prefeitura para decidir. Uma fonte diretamente ligada ao gabinete do prefeito, que pediu anonimato, afirma, porém, que, embora a situação não chegue a abalar o tucano, o clima fica cada vez mais pesado com o passar dos dias. “O prefeito está tranqüilo, sabe que não tem culpa pelo que ocorreu e tomou as providências necessárias. Mas é evidente que a pressão é grande e só deve terminar com a provável exoneração de Teixeira”, disse.
A motivação para o escândalo foi a descoberta da existência de fraude nas licitações envolvendo a obra de alargamento e aprofundamento do Córrego dos Bagres, que gostaria, no total, R$ 4 milhões dos cofres públicos. O superfaturamento seria de R$ 1,2 milhão. O fato fez Rocha ir do céu ao inferno em um curto período. Em 19 de março, ele havia anunciado os investimentos milionários nas obras, que teriam por objetivo impedir a ocorrência de enchentes; 11 dias depois, o tucano convocava a imprensa para cancelar a obra por ter descoberto irregularidades na licitação.
Rocha teria chegado à fraude por meio de uma ligação anônima. O denunciante teria revelado que a dona da Betontest, empresa responsável pela elaboração do projeto técnico, Taísa Franceshi, é mulher de Marco Antônio Franceshi, engenheiro da Secretaria de Planejamento Urbano. O prefeito determinou, então, uma sindicância interna para averiguar o processo.
Paralelamente, o Ministério Público passou a investigar, também, o caso. E não demorou muito para concluir que havia fraude: em 9 de maio, o MP concluiu que foi armado um esquema dentro da Secretaria de Planejamento Urbano para desviar R$ 1,2 milhão da Prefeitura. Implicou como responsáveis pela fraude o responsável pela pasta, Wilson Teixeira, o chefe da Copel (Comissão Permanente de Licitações), Caetano Perobelli, e outras quatro pessoas (veja quadro ao lado), ligadas às empresas Betontest e FFC Engenharia.
OBRAS
A FCC Engenharia, uma das acionadas pelo MP, já fez trabalhos importantes (e caros) na cidade. Bons exemplos são o alargamento da calha do Córrego dos Bagres na confluência com os córregos Cubatão e Espraiado e a construção de uma nova ponte na Avenida Antônio Barbosa Filho, na altura da Rua Cuba. Tais obras custaram R$ 1,1 milhão aos cofres públicos e foram entregues por Sidnei Rocha em 4 de outubro do ano passado. (MJ)
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