Na rabeira do Executivo e do Ministério Público, que já investigam o escândalo dos Bagres, a Câmara - que teria a obrigação, entre outras funções, de fiscalizar irregularidades em obras públicas municipais- pode abrir investigação própria na próxima terça-feira para apurar o caso.
A oposição, formada pelos vereadores Silas Cubas e Gilson Pelizaro (ambos do PT), deu entrada ontem em um pedido de instauração de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) para investigar o caso. A CEI deve ser votada na próxima sessão da Câmara, que será realizada terça-feira.
A tentativa de aprovar a CEI já foi feita há duas semanas, mas acabou rapidamente abafada pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB). O diferencial, agora, será a possível adesão de um partidário do tucano, o vereador Marcelo Valim, que declarou publicamente ontem que votará favorável à CEI.
Valim manifestou seu posicionamento pela manhã, durante seu programa Hora do Cacete, na Difusora AM, e, à noite, reafirmou que assinará o protocolo que pede a abertura do procedimento. "Confirmo o que falei. Votarei favorável sim", disse, por telefone.
Silas Cuba aprovou a posição do colega tucano e reafirmou que uma investigação paralela da Câmara é necessária e inadiável. "O Valim se comprometeu a assinar e é uma decisão importante. Está todo mundo apurando, a Promotoria, a auditoria da própria Prefeitura. E os vereadores, como ficam? Vão ficar observando tudo de fora, como meros expectadores? Não acho correto", disse.
Cuba foi além e demonstrou que a oposição poderá jogar com o peso da opinião pública para conseguir seu objetivo junto aos demais vereadores. "Após a matéria que o Comércio publicou, criticando a falta de bons projetos na Câmara, é hora de mostrarmos ação. Temos, entre nossas atribuições, a missão de fiscalizar o Executivo e não há momento mais propício que esse", disse.
A HISTÓRIA
As suspeitas de que a licitação nas obras de alargamento e aprofundamento do Córrego dos Bagres seria fraudulenta foram levantadas pelo próprio prefeito, em 30 de março. O motivo alegado foi o fato de um engenheiro da Secretaria de Planejamento Urbano, Marco Antônio Franceshi, ser marido da dona da Betontest, Taísa Franceshi, empresa responsável pelo projeto técnico da obra, orçada em mais de R$ 4 milhões.
Por determinação do prefeito, a auditoria interna passou a investigar o processo. O Ministério Público também, e chegaram a uma conclusão assustadora: houve fraude na licitação, articulada dentro da Secretaria de Planejamento Urbano, que visaria ao desvio de R$ 1,2 milhão. De imediato, processou o secretário Wilson Teixeira, o chefe da Comissão Permanente de Licitações, Caetano Perobelli, o engenheiro da Prefeitura Marco Antônio Franceshi. Além deles, foram citadas ainda as empresas de engenharia Betontest e FFC, através de seus donos, Taísa Franceschi e José Eduardo Corrêa, e o engenheiro Virgínio Reis.
Colaborou Eduardo Schiavoni
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