Nascidos para cuidar do próximo nos momentos em que estão com a saúde debilitada, profissionais da enfermagem dedicam suas horas de trabalho a curativos em ferimentos, aplicações de injeção, aferição da pressão, coletas de sangue, banhos e colocação de soro e sondas. Todos os dias, precisam estar fortalecidos e preparados para lidar com pessoas doentes, muitas vezes no limite da vida. Só em Franca e oito cidades vizinhas, são mais de 2.200 enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem dispostos a assistir pacientes em hospitais, UBSs (Unidades Básicas de Saúde), consultórios médicos e de dentistas. O dado é do Sindicato dos Empregados em Serviços de Saúde de Franca e região. Hoje, comemora-se o Dia Mundial do Enfermeiro.
Os requisitos para quem decide abraçar essa profissão são ser paciente, gostar de ajudar, saber respeitar o próximo e ter comprometimento com o trabalho. Ter “estômago forte” também é essencial. Veruska Montenegro conhece essa realidade. Ela decidiu se formar em enfermagem depois de acompanhar um sobrinho com problemas de saúde num hospital de São Paulo durante a adolescência. “Passei algumas noites com ele e comecei a observar a importância da figura da enfermeira na vida do hospital. É a pessoa mais próxima dos pacientes. Quis fazer parte disso.”
Faz 15 anos que atua na área. Atualmente, é gestora de enfermagem do Hospital Unimed e professora do curso na Unifran (Universidade de Franca). “Sou apaixonada pela minha profissão.”
Para ela, a história mais marcante desde que começou a assistência ao próximo ocorreu ainda na faculdade. Ela estava no quarto ano e decidiu levar um paciente que havia feito transplante de coração para tomar banho no chuveiro, pois fazia dias que estava de cama. Ao chegar ao banheiro, ele teve uma parada cardiorrespiratória. “Quis atender à vontade dele, lhe proporcionar mais bem-estar. Fiquei desesperada com o que aconteceu. Por sorte, os médicos conseguiram reanimá-lo. Naquele dia, o dom de ver o paciente feliz falou mais alto que meu conhecimento técnico. Hoje não faria isso.” Depois de receber alta, o paciente lhe prestou uma homenagem no jornal.
Maria Pessoni, 58, cuida da saúde de outras pessoas há mais tempo que Veruska: são 27 anos de estrada. Há 18 anos, a auxiliar de enfermagem deixou a rotina dos hospitais e passou a dar assistência aos pacientes em suas casas. Ela é responsável há 18 anos pelo Programa Curativo Domiciliar. Todos os dias, acorda 5 horas da manhã e percorre as casas de 56 pessoas das 7 às 13 horas para prestar atendimento. “Minha profissão é maravilhosa e algo que faço com muito carinho. Aprendo todos os dias. Se dependesse de mim, seria enfermeira eternamente, não envelheceria nem morreria para poder cuidar dos outros.” Maria recebe salário de R$ 1 mil pelo trabalho. “Poderíamos ser melhor remunerados sim.”
Sílvia Barbosa, 38, técnica de enfermagem, concorda. O desejo dela é que a profissão seja mais reconhecida pela sociedade e melhor remunerada. “Damos assistência integral aos pacientes e familiares. São 24 horas de cuidados”, disse ela, que recebe R$ 630 por mês para trabalhar seis horas por dia.
Ela é enfermeira nos hospitais desde 1991 e acredita que o maior desafio é lidar com a morte. “Ainda não me acostumei com as perdas. Não é fácil. Tem horas que me comovo demais com as histórias, especialmente quando envolvem crianças e jovens, afinal tenho filhos e sempre me coloco no lugar das famílias. Você tem que ter muito jogo de cintura.”
Já Wiara Cristina dos Passos, 21, vive as expectativas de trabalhar como enfermeira em hospitais. Ela é estudante do curso de enfermagem na Unifran e faz estágio na Santa Casa. ‘É muito gostoso. Estou estagiando no hospital desde fevereiro e me identificando a cada dia na minha área’, disse a jovem.
A profissão, hoje regularizada, nasceu voluntária. As enfermeiras ajudavam a fazer partos e cuidavam de pessoas feridas em guerras. A transformação da enfermagem em profissão assalariada aconteceu com a criação de uma escola de enfermagem num hospital inglês por Florence Nightingale em 1859. Ela nasceu no dia 12 de maio de 1820, por isso a data foi escolhida como Dia Mundial do Enfermeiro.
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