Uma casa simples, com móveis simples, mas construída como verdadeira obra de arte. Nas paredes, em vez de tijolos, foram usadas placas de cimento. As portas não são de madeira, nem de ferro e, quando fechadas, unem-se à parede. Quem vê a casa do lado de fora não imagina o que pode ser encontrado lá dentro. Do piso do portão às paredes do muro e todo o interior da casa, tudo tem azulejo. Todos diferentes. Entre um azulejo e outro, desenhos de árvores, aves, boneca e espelhos.
Quem construiu e mora nesse lugar é o aposentado Francisco de Assis Moraes, 64. Há 12 anos, Francisco adquiriu um terreno no bairro Ângela Rosa, que poucas pessoas se arriscariam a comprar.
Ficava praticamente no curso de um córrego. A área era tomada por lama. Mas o aposentado, que mora sozinho, decidiu sonhar e pôr em prática sua criatividade. Investiu recursos mínimos, adquiridos através de serviços braçais na roça, e transformou o local não só em uma obra de arte, mas em uma agradável área de lazer.
Pode parecer estranho, mas a casa simples, de apenas dois cômodos, conta com piscina, lago artificial com jacarés feito de cimento, peixes de verdade e fogão com forno a lenha. Na "área de lazer" há ainda varanda com pia e uma suíte. O criado-mudo da cama é uma fonte de água e, a seus pés, há um curso de água com um monjolinho.
O teto da varanda de Francisco é inspirado no céu da noite. Com forro branco, tem lua e estrelas laranjas e amarelas. E não pára por aí. A laje da casa se transformou em cobertura, também revestida com piso frio.
O aposentado não tem idéia de quanto já gastou. Diz que comprou o terreno por R$ 160 mil cruzeiros e para levantar a casa não precisou de pedreiro. "Fui eu mesmo quem construí. Ganhava um dinheirinho carpindo terrenos e comprava cimentos. Já os pisos compro em lojas que vendem restos", conta.
Francisco freqüentou escola por apenas seis meses. Sabe ler e escrever, nada mais que isso. É divorciado há 30 anos e tem filhos, mas disse que eles se distanciaram e, para não se sentir sozinho, resolveu criar. Transforma tronco de árvores e ossos em esculturas de pássaros, cobras e, com cimento, constrói casas de joão-de-barro. Vende as esculturas por preços a partir de R$ 20.
RECURSOS NATURAIS
Menos de R$ 20. Esse é o gasto mensal de Francisco com água e energia. Sua criatividade foi além das esculturas. Ele utilizou o curso da água de uma mina e enche a caixa d’água e a piscina. Com o fogão de lenha aquece a água para o banho. Questionado de onde vem tanta criatividade, ele responde com outra pergunta. "Já leu a bíblia? Com fé em Deus tudo é possível".
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