Há uns quarenta anos, mais ou menos, cidadãos que tinham vontade de defender os interesses da coletividade disputavam vagas para vereador, mesmo sabedores que não teriam salários e que as reuniões se davam à noite porque, durante o dia, todos tinham os seus afazeres e negócios. As necessidades da população daqueles tempos são quase as mesmas de hoje, pouco mudou. Os edis daquela época limitavam-se a encaminhar requerimentos ao prefeito com as solicitações do povo, ou por iniciativa própria. Como hoje, não eram mais que despachantes, porém sem remuneração. Também, como hoje, ocupavam-se de expedientes inúteis, como batizar ruas com nomes de parentes seus ou de famílias do relacionamento, congratulações, pêsames, etc. Eram poucos os trabalhos relevantes para benefício ou progresso do município. Ocorriam também discussões acaloradas por motivos ideológicos, mas não havia notícia de recebimentos de propina. Com o tempo, foi criada remuneração para vereador (sem direito a assessor) e com isso as disputas por uma vaga aumentaram consideravelmente. Um pouco mais para a frente criou-se a chamada verba de representação para custeio de viagens e contratação de assessores. Começou o trem da alegria. Deputados e senadores passaram a assediar vereadores com vantagens financeiras, tornando-os eficientes cabos eleitorais. O mercado imobiliário trouxe empresários interessados em projetos irregulares, proibidos por lei. Tais empresários abriram as mãos a prefeitos e vereadores, que na surdina da ilegalidade aprovaram os emprendimentos em nome do progresso, coisa que ocorre até hoje.
Os nobres edis (tratamento entre eles, quando em sessão), de defensores (em geral medíocres) do interesse público, tornaram-se negociantes do próprio interesse. As Câmaras Municipais viraram balcões de negócios, altamente corruptas, inúteis e caríssimas para os contribuintes. As únicas instituições que realmente representam os interesses locais são ignoradas e esquecidas, a exemplo de associações de bairros, que não têm acesso fácil aos gabinetes de prefeitos. A politicagem procura mantê-las distante, pois incomodam. São entidades que custam pouco aos associados, ao contrário das câmaras municipais.
Negando nosso voto para vereadores nos próximos pleitos poderemos iniciar as mudanças políticas. Devemos extinguir os legislativos municipais, antro de negociatas e corrupção.
Associações de bairros, pressionando prefeitos sem intermediários, terão resultados mais rápidos. Quanto às leis municipais, estas podem ficar por conta do Estado.
Marcelo Zwarg
é leitor do Comércio da Franca
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