O novo Ministro da Saúde José Gomes Temporão é peso pesado. Talvez desde José Serra o Ministério não tenha encontrado pessoa do seu calibre. Milita há trinta anos na saúde pública. Desde 2003 no atual governo, como diretor do INCA (Instituto Nacional do Câncer) acabou com os problemas que surgiram com as filas de transplante.
Os pontos centrais de seu pensamento seguem as modernas linhas da saúde pública mundial, e dos sanitaristas brasileiros em particular - que constituem uma das melhores categorias profissionais do País.
Uma primeira questão é a dimensão da promoção da saúde. O Ministério da Saúde é, na verdade, o Ministério da Doença, diz ele, porque o Brasil não tem política de saúde. Com isso ficam de fora pontos centrais que interferem na saúde, como classes de renda, trabalho, acesso à moradia, cultura, saneamento.
Há a necessidade de se trabalhar políticas inter-setoriais, montando interfaces entre saúde e habitação, saúde e saneamento. Por exemplo, os investimentos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) em habitação, saúde e saneamento terão um impacto brutal sobre a saúde pública.
A idéia de Temporão é criar um grande movimento nacional de promoção da saúde. E, aí, acaba se enveredando por temas espinhosos, mas fundamentais.
Anualmente 35 mil brasileiros morrem por acidente de trânsito, diz ele. O que está por trás? Estradas com má sinalização, sem dúvida. Mas fundamentalmente uso de álcool e outras drogas, e falta de informação e educação do motorista. Em relação ao álcool, Temporão considera inevitável que se restrinja o consumo de bebidas nas estradas.
No mundo inteiro, saúde é dos setores que mais criam riqueza, conhecimento e emprego. Ao contrário dos bancos e da indústria automobilística, em que se reduz o emprego pelo uso da automação, a saúde é um mercado de trabalho em franca expansão.
A população está envelhecendo mais rapidamente. Daqui a vinte anos, serão 30 milhões de brasileiros com mais de 60 anos, mais doenças crônicas, e mais pessoas para cuidar dessa população, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, com empregos mais qualificados que a média.
Há uma dimensão ainda mais relevante que é a da pesquisa. Hoje a saúde responde por 8% a 10% do PIB. Nos hospitais, clínicas e consultórios são 2,5 milhões de empregos diretos. Mais indústria farmacêutica, fabricantes de vacinas, reagentes e material hospitalar, são mais 300 mil, com muitos engenheiros. Além disso, já uma vulnerabilidade crescente na balança comercial do setor. No final dos anos 80 o déficit comercial era de US$ 600 milhões, hoje atinge US$ 5 bilhões/ano.
Metade do mercado de equipamentos médicos é público, assim como 25% do mercado de medicamentos (que movimenta US$ 10 bilhões/ano). O desafio do Ministério será articular a capacidade de compra com o Ministério de Ciência e Tecnologia na parte de pesquisa e desenvolvimento e com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) na parte de financiamento
CÂMBIO E RESERVAS
A política de compras de dólares pelo BC apenas ajuda no jogo especulativo de arbitragem de câmbio: aquele em que o especulador traz dólares de fora para especular aqui dentro. Na prática, apenas adia o processo de valorização do câmbio. Ao impedir uma queda brusca do dólar, dá mais segurança ao especulador para continuar especulando. É um caso típico de custo imenso com benefício pequeno e provisório.
LUCRO DA TAM - 1
A queda do lucro da TAM, de R$ 59,2 milhões no primeiro trimestre contra R$ 126,7 milhões no mesmo período de 2006, não foi bem explicada ainda. O motivo alegado foi o aumento dos custos. Com tarifas de pouso e decolagem e de auxílio à navegação, os custos aumentaram 43,6%, chegando a R$ 99,3 milhões, contra R$ 69,1 milhões no mesmo período de 2006. A razão foi o aumento no número de decolagens e quilômetros voados.
LUCROS DA TAM - 2
Com pessoal, os custos aumentaram 40,9%, R$ 267,7 milhões, contra R$ 190 milhões no primeiro trimestre de 2006. A alta, segundo a TAM, ocorreu por conta do aumento de 65,2% no quadro de funcionários efetivos. Só que o aumento foi também em função do aumento de vôos. Todos esses custos são variáveis: aumentam de acordo com o aumento da demanda. Se fosse só por isso, o lucro deveria ter aumentado.
LUCROS DA TAM - 3
O Ebitda da TAM (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) somou R$ 115,2 milhões, uma queda de 46%. Só que a receita líquida cresceu 15,4%, chegando aos R$ 1,83 bilhão, contra R$ 1,58 bilhão do período anterior. Além disso, aumentou a participação da TAM no mercado doméstico. Provavelmente a razão maior da queda do lucro foi a guerra de tarifas, ou outro motivo não devidamente esclarecido.
PREÇO DO SUCESSO
Quando diz que a valorização do real é o preço do sucesso, o Ministro da Fazenda Guido Mantega cumpre um papel ridículo. Primeiro porque a apreciação do câmbio decorre do excesso de liquidez internacional, do diferencial de juros interno e externo, e do volume de reservas, reduzindo o risco da especulação. Segundo, porque Mantega sabe disso. Terceiro, porque todo mundo sabe que Mantega sabe disso.
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